True Detective - 2ª temporada – Crítica

True Detective – 2ª temporada – Crítica

Chegou ao fim a segunda temporada de True Detective. Já haviam ficado para trás o Rei Amarelo e Carcosa, com todo seu potencial sobrenatural, Rust Cohle e sua psicosfera, Marty Hart com seu senso de humor e suas falhas de bom cristão e a úmida e desolada Louisiana. Nessa temporada o cenário é a ensolarada Califórnia e, ao invés de rituais satânicos, o tema se desenvolve em torno da máfia e da corrupção do governo e da polícia.

Um corpo, identificado como sendo do empresário Ben Caspere, foi encontrado pelo oficial da CHP Paul Woodrugh à beira de uma rodovia. Para ajudar na investigação desse crime são chamados os detetives Raymond “Ray” Velcoro, da polícia de Vince e Antigone “Ani” Bezzerides, do Condado de Ventura. Claro que não se trata de um caso simples e uma rede de traições e corrupção começa a ser exposta à partir desse crime.

O enredo é complicado e até a metade da temporada é difícil entender o que realmente está acontecendo. O telespectador fica meio perdido e o fato de os protagonistas não funcionarem como time (a exemplo da dupla Marty/Rust) torna as coisas mais difíceis ainda para a audiência. Ray, Bezzerides e Paul possuem seus dramas pessoais e são desconfiados uns dos outros por terem eles mesmos seus segredos. Dessa forma o relacionamento da equipe fica frio e sem dinâmica.

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No quarto episódio uma cena de ação intensa dá uma virada na trama e os personagens finalmente convergem, a empatia entre eles aumenta, assim como a empatia do público por eles. Paralelamente o gangster Frank (Vince Vaughn), com quem Ray tem uma ligação obscura, também investiga a morte de Ben Caspere, que era seu parceiro de negócios e cuja morte trouxe a ele imensos prejuízos.

O tom dessa temporada é sombrio, mais até do que foi na primeira temporada. Não há alívio de parte alguma e nossos protagonistas são todos quebrados, danificados por fatos traumáticos do passado, essencialmente solitários. Rachel McAdams e Colin Farrell se dão muito bem em seus respectivos papéis, Vince Vaughn surpreende num papel que parece feito sob medida para ele. Aliás, quem falou que ele deveria ser um ator de comédia mesmo?

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Taylor Kitsch interpreta o solitário veterano de guerra Paul Woodrugh de uma maneira sensível. Certamente não é uma unanimidade de crítica, mas particularmente eu gostei muito. Fica claro que ele usa uma máscara insondável para esconder um turbilhão de emoções à respeito de si mesmo, de suas experiências em combate, de sua situação familiar e afetiva. Um personagem íntegro muitas vezes tendo que se mover num mar de lama, corajoso, mas ao mesmo tempo cheio de medos, de caráter forte, mas cheio de incoerências com as quais não consegue lidar. Um tipo de herói realista demais. Em suma um personagem difícil, que o ator Taylor Kitsch soube entregar com competência. Também vale destacar aqui a atriz Kelly Reilly, que interpreta Jordan, a esposa de Frank. Personagem que exala feminilidade e sensualidade, oposta a Bezzerides, que possui um jeito masculinizado. No entanto elas se aproximam enquanto mulheres fortes, duronas à sua maneira.

Para todos os efeitos a segunda temporada de True Detective não é melhor que a primeira, mas é sim muito digna e leva vantagem sobre sua predecessora quanto ao final, que não é nada condescendente com seus “mocinhos” e ainda traz um aspecto interessante em seu desfecho, uma abordagem feminista a meu ver.

Encerro com uma observação triste: True Detective, em ambas as temporadas, é muito realista. Nela vemos que no final o mal vence, que os poderosos estão além do alcance, como foi com a família Tuttle e agora com tantos poderosos corruptos envolvidos, que talvez nunca sejam responsabilizados por seus crimes. Os “heróis” dão suas vidas para pegar ao menos alguns, da base, mas não poderão jamais chegar ao topo dessa cadeia.[SPOILER ALERT] Para quem quer ver um show cujo final traga um “felizes para sempre” dou uma dica: melhor passar longe de True Detective.

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