Hannibal - Crítica da série

Hannibal – Crítica da série

A série Hannibal chega ao fim.

Nos despedimos de Hannibal, a série de tv da NBC que conquistou uma legião de fãs e que deixará muita saudade.

Não tem como não sentir saudades dessa adaptação para a TV da obra de Thomas Harris, que conseguiu superar suas adaptações cinematográficas. O Hannibal de Brian Fuller começa como uma série policial e evolui para o que ele mesmo, em recente entrevista para o site Variety, chama de Opera. Uma obra de arte, de fato, a começar pelo estilo visual característico e pela trilha sonora clássica. As cenas mais grotescas e chocantes são colocadas diante do telespectador ao som de Mozart, Bach, Chopin, entre tantos outros. As cores (especialmente o vermelho) fluem em slow motion, em tons vibrantes, numa representação artística da morte.O figurino, os cenários e a fotografia são outras característica marcantes da série (Eu particularmente AMO o estilo vintage da Dra. Alana Bloom (Caroline Dhavernas) e o estilo diva de cinema da Dra. Bedelia du Maurier (Gillian Anderson). Outro aspecto da perfeição dessa obra é, obviamente, a cozinha. Pratos sofisticados e apresentações impressionantes (em todos os aspectos) que abrem o apetite ao mesmo tempo que provocam repulsa. O gênio por trás da gourmetização do canibalismo é a food stylish Janice Poon, que não poupou pesquisas para criar com perfeição cada receita do nosso serial killer preferido.

IMG2

O enredo, que começa no estilo policial, com basicamente um caso por semana, evolui dramaticamente à partir do momento em que passa a ser centralizado na perseguição de Hannibal por parte do agente Will Graham. A relação dos dois personagens, tão incrivelmente interpretados pelos atores Mads Mikkelsen e Hugh Dancy, é uma espécie de “bromance” dos mais bizarros. Os diálogos são ricos e as interpretações com certeza ficarão entre as melhores das carreiras desses atores.

Aliás todo o elenco é de primeira classe. Lawrence Fishburne, como o agente encarregado Jack Crowford, está muitíssimo bem. Suas cenas de luta estão entre as mais empolgantes da série, na minha opinião. Caroline Dhavernas viu sua personagem, Dra. Alana Bloom, que começou frágil e acabou num certo momento sendo um brinquedo sexual para Hannibal, evoluir para uma mulher forte, capaz de enfrentá-lo e até mesmo subjugá-lo. Uma surpresa foi a personagem Bedelia du Maurier, que começou com pequenas aparições até se tornar regular na série, colocando Gillian Anderson no elenco principal. Bedelia é frequentemente a “pessoa mais inteligente da sala”, a pessoa que melhor conhece Hannibal e que tem por ele uma curiosidade científica. Muitas vezes ela fica um passo à frente dele (trocadilhos infelizes me veem à mente, alguns talvez saibam do que estou falando). Ela é inteligente, sexy e fria e Gillian Anderson a interpretou magnificamente.

Bedelia Hannibal

Nessa última temporada entra em cena Francis Dolarhyde, vivido por Richard Armitage. Para encontrá-lo e deter sua série de crimes Graham conta com a ajuda de Lecter, que está preso. Conhecido pela imprensa como o Fada do Dente e autodenominado o Grande Dragão Vermelho (como na pintura de Willian Blake), Dolarhyde é para Graham um Hannibal que ele pode salvar e para Hannibal um Will Graham que ele pode corromper livremente. Como o Cordeiro e o Diabo em luta pela alma do homem caído assim pode ser interpretado esse triângulo. O final, entretanto, mostra quem realmente está do lado de quem.

Enfim, vale citar o excelente trabalho dos atores recorrentes da série Raúl Esparza (Dr. Chilton), Lara Jean Chorostecki (Freddie Lounds), Michael Pitt (Mason Verger), Katherine Isabelle (Margot Verger), Eddie Izzard (Dr. Abel Gideon) e Gina Torres (Phyllis Crawford). Paro por aqui mas a verdade é que todos os atores que integraram o elenco dessa série mostraram um excelente trabalho, à altura da obra.

Uma pena que o episódio que seria apenas o final da temporada acabou se tornando a series finale. Fechou o arco mas deixou um gosto na boca, um gosto de saudade, de quem sabe que não vai se sentar à mesa do nosso querido Dr. Hannibal Lecter por um bom tempo. De qualquer forma valeu a pena. Foi de lamber os dedos!

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