As Águias e o Um Anel

As Águias e o Um Anel

A tarefa de informar, visando o bem comum e a pura exaltação da verdade é grata, sobretudo tendo em vista que a informação, devidamente manipulada (desinformação), tem sido um dos mais poderosos instrumentos para aquisição e manutenção do poder de pessoas e instituições das mais nefastas à sociedade. Voluntario-me para acender uma vela sobre a escuridão de uma galhofa que só pode ter tido sua origem na mente de algum servo de Sauron derrotado, com o intuito de obscurecer o juízo dos homens livres. Que a luz de Eärendil, nossa mais amada estrela, brilhe sobre nós, nesse momento tão necessário!

À qual zombaria estaria eu me referindo, caros amigos leitores? Bem, eis a resposta:

Pois bem! Quanta simplicidade, de fato! E por qual motivo esse “brilhante plano” não foi colocado em prática, ao invés de torturar e quase matar nossos pequenos hobbits numa longa estrada, cheia de perigos e dores? Graças à Eru, o conselho de Elrond não foi orientado por tais “estrategistas”, mas sim por seres verdadeiramente sábios, do contrário seríamos atualmente escravos à serviço do Inimigo.

Colocar o anel no bico de Gwaihir e simplesmente mandá-lo jogar o objeto direto na Fenda da Perdição, que objetivo! Mas calma, meu jovem Padawan, será que essa “grande” ideia realmente funcionaria?

As Grandes Águias são criaturas à serviço do Rei dos Valar, Manwë. À elas foi confiada primeiramente a missão de manter Morgoth sob vigilância e também os elfos em exílio, que continuavam sendo amados por Manwë e Varda, sua esposa e rainha Valië. Participaram, portanto, desde a Primeira Era na longa guerra contra as forças do Escuro, lideradas primeiro por Morgoth e depois por seu servo Sauron, estando eles sempre ao lado dos Valar, elfos e homens livres. Eram especialmente informantes, mas também desempenharam outras tarefas importantes, como o resgate de vários personagens cruciais além de combater ao lado dos exércitos aliados contra o Senhor do Escuro, como fizeram na Guerra da Ira.

Sim, as habilidades de tais criaturas são incontestáveis. Mas seriam a melhor opção para carregar o Um Anel até sua destruição? Comecemos por uma pergunta básica: seriam as águias capazes de ir ao encontro da Montanha da Perdição sem serem percebidas em Barad-dûr, a Torre Negra de Sauron? Mesmo o caminho não seria muito discreto para elas, pois eram criaturas odiadas e temidas por Sauron, que para lhes fazer frente tinha seus terríveis monstros alados, montados pelos Nazgûl. Para piorar Saruman também tinha espiões por toda parte, entre homens, Hobbits e mesmo animais, além de orcs e Uruks, pois também estava desesperado por encontrar o Um Anel antes de seu dono. No Conselho de Elrond há algumas falas sobre a necessidade de sigilo e do “elemento surpresa” para levar a cabo tão importante missão, como quando o próprio Elrond toma a palavra e diz:

“-… A estrada deve ser percorrida, mas será muito difícil. E nem a força e nem a sabedoria nos levarão muito longe, caminhando por ela. Essa busca deve ser empreendida pelos fracos com a mesma esperança dos fortes. Mas é sempre assim o curso dos fatos que movem as rodas do mundo: as mãos pequenas os realizam porque precisam, enquanto os olhos dos grandes estão voltados para outros lugares.” (A sociedade do Anel, pág. 280).

Em outro trecho mais a frente ele fala ainda mais claramente a Frodo:

“- Escolherei pessoas para acompanhá-lo, até onde estejam dispostas ou até onde a sorte de cada um permita. O número deve ser pequeno, já que sua esperança repousa na velocidade e no segredo.” (A sociedade do Anel, pág. 286)

Se ainda resta alguma dúvida sobre essa estratégia desesperada ser a melhor possível, se ainda acha que foi pura tolice, deixarei que o próprio Gandalf lhe responda:

“(…)Bem, que a tolice seja nosso disfarce, um véu diante dos olhos do Inimigo! Pois ele é muito sábio, e pondera todas as coisas com exatidão, nas balanças da sua malícia. Mas a única medida que conhece é o desejo de poder; assim julga que são todos os corações. Seu coração não cogita a possibilidade de qualquer um recusa-lo; de que, tendo o Anel em mãos, vamos procurar destruí-lo. Se tentarmos fazer isso vamos despistá-lo.” (A Sociedade do Anel, pág. 280).

Para encerrar devemos nos lembrar de que nem Gandalf, nem Elrond e nem Galadriel ousaram sequer tocar no Um. Nem mesmo o enigmático Tom Bombadil quis ficar com ele. É um objeto com vontade própria e cheio de maldade. Nenhum dos sábios ousa tomá-lo e Gwaihir, o poderoso Rei das Grandes Águias de Manwë que é o Rei Supremo dos Valar, certamente é sábio o suficiente para não aceitar tomá-lo consigo, também.

Espero que essa explicação resumida tenha sido suficiente para aplacar um pouco as ondas de chacota vindas da malícia do Inimigo, e amenizar as tretas malignas que foram plantadas em tantos lugares.

Namarië

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