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X-Men: Apocalipse e os dias de um futuro próximo

X-Men – A Era do Apocalipse, bateu Capitão América: Guerra Civil em seu fim de semana de estreia com folga, arrecadando 20 milhões de reais e levando mais de 1 milhão de pessoas ao cinema (Guerra Civil vem em segundo, tendo arrecadado 7,9 milhões de reais). Prova de que a franquia, apesar de repleta de furos, continua sendo uma das mais queridas e cultuadas pelos fãs de filmes de heróis por aqui.

Sim, repleta de furos e não foi esse filme que fez o milagre de fazer tudo ter sentido. Numa tirada bem ao estilo de Dead Pool Jean Grey (Sophie Turner, a Sansa de Game of Thrones), numa cena do filme em que ela e alguns outros alunos do Instituto Xavier acabam de sair de uma sessão de cinema, diz que o terceiro filme de uma franquia é sempre o pior. Estariam se referindo ao super criticado X-Men- O confronto Final? Ou estariam falando do próprio filme, que não deixa de ser o terceiro desse quase reboot da franquia? Poderiam estar falando dos dois e teriam muita razão, pois Apocalipse não se iguala ao seu antecessor Dias de Um Futuro Esquecido, muitíssimo menos ao ótimo Primeira Classe. Um dos pontos mais fracos desse último filme é justamente o vilão que dá nome à produção. Apocalipse tem uma caracterização digna da série de TV Power Rangers, sua motivação é vazia, seu plano é ridículo: matar todo mundo que for possível, destruir o planeta e, com quem porventura sobreviver, construir um mundo de harmonia em meio ao absoluto caos. Que pessoas em sã consciência não duvidariam desse “plano”? Até os quatro cavaleiros eleitos por ele nessa era, ao perceberem o que seu mestre planejava, acabaram entrando em desacordo. Detalhe que sua tentativa, mais de 3000 anos antes, foi frustrada por pessoas que viram que algo não ia dar certo nesse objetivo do nosso vilão azul. Enfim, faltou consistência. A construção dos personagens que se tornaram seus cavaleiros, com exceção de Magneto (Michael Fassbender), também deixou a desejar. Por exemplo, o único ponto digno de nota da cena em que foram recrutar o Anjo (Ben Hardy) foi a trilha sonora, que ficou por conta de um lançamento da época, bem pertinente à cena: The Four Horsemen, do Metallica. Psylocke (Olivia Munn) surge meio do nada e Tempestade (Alexandra Shipp) tem um pouco da sua real origem desperdiçada, quando creditam seus característicos cabelos brancos ao poder de Apocalipse, quando sabemos serem originais da personagem e uma de suas marcas registradas, junto aos olhos azuis, característica essa que foi completamente ignorada pelo filme. Ainda sobre a caracterização temos Mística (Jennifer Lawrence) o tempo todo loura (senti de novo saudades de Rebecca Romijn). No filme tentam explicar, mas sabemos o real motivo: a necessidade de mostrar o quanto possível o rosto da nova namoradinha de Hollywood. Tanto que a caracterização mutante da personagem nunca esteve tão ruim, nem pra Smurfete serviria. Além do mais fazer Raven Darkholme como heroína é de doer. Poderiam ter chamado ela de Katniss e estaria tudo certo. Ainda falando nos pontos negativos destaco o exagero de CGI que deixou algumas cenas artificiais demais. Um roteiro melhor escrito e melhor construção dos personagens seriam muito mais desejáveis.

Enfim, como pontos positivos começarei falando de Magneto (Michael Fassbender), que é certamente o personagem mais complexo dessa nova fase da franquia e no filme somos presenteados com mais uma faceta desse personagem. Pena que isso também não é completamente explorado, mas deu ainda mais cores à personalidade dele. Também os jovens Ciclope (Tye Sheridan), Jean Grey e Noturno (Kodi Smith-McPhee) têm uma excelente participação. Mercúrio (Evan Peters)como sempre rouba a cena. A fórmula é repetida mas continua funcionando lindamente, obrigada. Ao som de Sweet Dreams (Are made of this)do Eurythmics, ele protagoniza a melhor cena do filme. James McAvoy continua bem como Professor Xavier, assim como Nicholas Hoult na pele do Dr. Henry McCoy. A cena em que Wolverine (Hugh Jackman) aparece é ótima, mas poderia ter sido realmente incrível, caso o trailer não tivesse estragado a surpresa.

Aliás eis aqui mais uma confusão: agora foi Jean Grey quem libertou Wolverine do programa Arma X e esse se tornou o momento em que eles se conheceram. É ou não é de dar nó no cérebro? Mas ao que parece os eventos de Dias de Um Futuro Esquecido serão desculpa para tudo, não só para relevar os furos da franquia como também para corrigir erros. Pelo que o próprio diretor anda dizendo é possível que a Saga da Fênix seja recontada numa próxima produção. Em Apocalipse os poderes de Jean estão aflorando e a entidade Fênix está começando a se manifestar. É possível que Singer reconte essa história, que ele não pôde em O Confronto Final por ter deixado a direção desse filme para dirigir Superman – O Retorno. Provavelmente ele usará como base a série animada, que foi o que o tornou um fã de X-Men.

E falando em possibilidades falemos da cena pós crédito. Esse costume, iniciado pela Marvel em Homem de Ferro, foi adotado pela Fox, que levou ao pé da letra e optou por colocar seu teaser depois de TODOS os créditos. Enfim, na cena vemos um agente engravatado que entra no local onde Wolverine estava preso. Lá ele pega uma amostra de sangue do mutante e coloca numa maleta, junto à outras amostras de diferentes cores e vemos o nome: Essex Corp. Essex Corp. pertence ao geneticista e humano mutante Nathaniel Essex, conhecido como Sr. Sinistro. O que isso pode significar? Poderia muito bem estar dando a pista do próximo filme dos X-Men, já que Sr. Sinistro tem uma verdadeira obsessão por Jean Grey e Scott Summers, dois personagens que já começaram a se destacar. Pode também se referir à Cable, que participará do próximo filme do Dead Pool. Pode ainda se referir ao filme solo do Gambit, já que ele trabalhava para o Sr. Sinistro antes de entrar para os X-Men. O mais provável é que tenha a ver com o terceiro filme do Wolverine, já que eles podem estar dando uma pista da criação de X-23, uma clone do Wolverine. Seria interessante se fosse um indício de que Sinistro será o futuro vilão do universo dos X-Men, envolvido direta e indiretamente com todas as histórias citadas. Vamos ver o que o futuro reserva. Sobre X-Men Apocalipse nossa crítica segue a tendência e é mediana, mas vale a pena ir ao cinema ver, recomendamos. Esvazie sua mente de tentativas de alinhar os roteiros dos filmes anteriores, não espere uma adaptação 100% fiel e se divirta.

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