Deuses Americanos: O que esperar da série?

Deuses Americanos: O que esperar da série?

Deuses Americanos, livro de Neil Gaiman de 2001, será em breve adaptado para a TV, no formato de série. Mas do que se trata essa obra e o que poderemos esperar dessa adaptação?

Deuses Americanos é um livro um tanto antropológico. O espírito americano é descrito à partir da visão dos deuses, trazidos para a América por aqueles que vieram, de tantos lugares do mundo, para aqui morar por um tempo ou definitivamente. O panteão é eclético e reflete a multietnicidade do próprio povo. Três grandes forças tem atuação na história: os deuses antigos, os “novos deuses” (como a mídia, os aviões e a Internet) e a terra. As pessoas comuns não estão mais sujeitas aos deuses do que eles estão às pessoas. Os deuses influenciam os seres humanos, os alegram ou atemorizam, ao passo que eles mesmos dependem do amor, da adoração e da fé das pessoas para continuar existindo. A terra tudo observa, aparentemente passiva. Aparentemente.

Uma guerra está por vir. De um lado estão os deuses antigos, cujo o conhecimento vem das tradições e do tempo. Do outro lado estão os deuses de aço, plástico e concreto, com cheiro de combustível queimado, cuja sabedoria é proveniente de bancos de dados virtuais. No meio está o coração da humanidade. Alguns personagem humanos são usados como peça nessa guerra. Uma dessas peças é Shadow, o protagonista do livro, homem grande e de raciocínio lento, recrutado por um deus para uma tarefa não muito específica.

O enredo traz conceitos interessantes (embora não originais) como o poder que certos lugares do planeta tem naturalmente. Esse poder atrai as pessoas à esses lugares que, nos EUA, se tornaram pontos turísticos que concentram grande número de pessoas, aumentando ainda mais seu poder natural.

Lugares e personagens das mais diferentes origens surgem no caminho de Shadow, mostrando a imensa variedade cultural dos Estados Unidos de uma forma quase que despretensiosa. A complexidade dessa pluralidade é transmitida pela situação dos deuses, que também precisam se esforçar para conviver entre si, misturados e cada vez mais isolados ao mesmo tempo, desconfiados e apreensivos, em cada esquina procurando um modo de ganhar a vida. Os novos deuses, apesar de serem mais fortes e influentes, não tem menos medo. Eles temem ficar obsoletos e serem esquecidos. Como diz uma frase recorrente no livro: os Estados Unidos não são uma boa terra para deuses. Entre os antigos deuses há Wednesday (e quem curte mitologia já pega de cara quem ele é), um velho desbocado e que ganha a vida aplicando golpes e, vez ou outra, roubando bancos. É esse deus que contrata os serviços de Shadow, um cara estranho que acabou de sair da prisão. Wednesday é quem inicia a reunião dos deuses para a guerra que se aproxima. O papel de Shadow nos planos de Wednesday, tal como seu nome pode insinuar, é obscuro. Apenas no final essa participação é esclarecida, mas um destino que não foi previsto, nem mesmo por Wednesday, aguarda Shadow.

Cada inserção que traz a história de personagens paralelos ou origens de deuses e cultos é deliciosa. Já algumas partes descritivas são meio monótonas. Mesmo assim é um livro que faz com que você se pegue, no meio do dia, pensando em leprechauns, deuses búfalos, corvos falantes (que não suportam que lhes peçam para dizer “nevermore”) e gênios do deserto. O protagonista não me cativou muito. Não gosto muito de gente lerda. Mas ele é leal e bondoso de coração acima da média. É um bom rapaz, esse Shadow.

O que esperar dessa adaptação? São muitos personagens, muitos cenários, cenas alegóricas surreais. É possível que adaptar com toda a fidelidade seja algo difícil de fazer. O importante é preservar o espírito da obra, essa homenagem ao povo americano, a velha guerra de poderes que existe entre o que é clássico e o que é moderno, o poder de um homem comum em oposição à tantos poderes místicos e artificiais. Há uma grande história por trás dessa história, provavelmente seja A Grande História, que Gaiman aborda de forma leve, narrando a trajetória desse herói moderno que é Shadow. Aguardemos a estreia desse projeto promissor, que está prevista para 2017.

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