Stranger Things - Primeira temporada crítica

Stranger Things traz a inocência de uma época perdida de volta para as telas

Stranger Things é uma série difícil de analisar quando se é alguém que cresceu nos anos 80/90. Estão ali as preciosas referências à tudo que crescemos assistindo e que nos emocionou ou assustou um dia. Ainda assim não é como experimentar algo velho. É como voltar à época em que tais temas eram novidade. Goonies, It, E.T – O Extraterrestre, Conta Comigo, Gremlins, Deu a Louca nos Monstros, Carrie, Arquivo X, conspirações, experiências genéticas, guerra fria, Winona Ryder…saudosismo puro! A maratona foi curta demais e deixa com vontade de re-assistir.

A série se passa nos anos 80, na pacata Hawkins. Will Byers, um garoto de doze anos, desaparece à caminho de casa, depois de passar o dia com seus amigos jogando D&D. A mãe do garoto, Joyce (interpretada pela renascida Winona Ryder), insiste em sua procura contra todas as probabilidades. Ela conta com a ajuda do filho mais velho, Jonathan (Charlie Heaton) e do chefe de polícia da cidade Jim Hopper (David Harbour). Paralelamente (e secretamente) o grupo de pré adolescentes amigos de Will organizam uma patrulha que se organiza para encontrar o amigo perdido. Numa dessas buscas acabam encontrando não Will, mas uma outra criança. A criança é uma misteriosa garota de cabeça raspada que diz se chamar Onze. Logo o grupo percebe que Onze não é uma garota comum e que ela pode ser uma peça-chave para encontrar Will.

Stranger Things Eleven

A abertura, a trilha sonora, a ambientação e a caracterização dos personagens estão perfeitos. A história tem todos os elementos dos filmes de sucesso da época: grupo de crianças que se envolve numa missão arriscada, conspirações do governo, vilão frio de cabelos platinados, caça aos comunistas, menina estudiosa que se apaixona pelo cara popular da escola mas é amada pelo nerd esquisito, irmãos que vivem como cão e gato mas se unem por um objetivo comum no final e por aí vai. Há também uma clara referência ao ótimo filme de ficção científica Under the Skin e muitas citações de O Senhor dos Anéis e O Hobbit (aliás, aos fãs dos filmes de Peter Jackson, a cena final do reencontro dos amigos parecerá extremamente familiar).

Os atores mandam bem em seus papéis e particularmente fiquei feliz ao ver Winona Ryder tão bem como a mãe transtornada pela perda do filho, capaz de tudo para tê-lo de volta. Entretanto o que brilha mesmo é o núcleo das crianças. Finn Wolfhard como o líder carismático Mike, Caleb Mclaughlin como Lucas, o mais racional e esquentado da turma e Gaten Matarazzo que vive o fofo e super engraçado Dustin. Eles formam a turma de heróis que pretende resgatar o amigo perdido e ainda proteger a garota recém incorporada ao grupo: Onze. Onze é interpretada por Millie Brown, que faz um trabalho convincente e de alta qualidade. Ta aí um jovem talento pra não perder de vista.

Enfim, Stranger Things é, apesar das falhas e do roteiro simples (até meio bobo), uma homenagem e tanto à essa época de grandes clássicos, ao mesmo tempo inocente e paranoica que foram os anos 80. Instiga do começo ao fim e é diversão garantida pra família toda (até para essa geração que passou longe de RPGs e walkie-talkie e nunca teve o sonho de ganhar uma Caloi). O final deixa algumas perguntas no ar que deveriam ser deixadas para a imaginação do público. Mas “o dinheiro fala” então serviram como gancho para a segunda temporada, que já está programada. Não estou ansiosa. Por ora posso dizer que minha criança interior está grata e muito satisfeita, obrigada.

Stranger Things

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