Esquadrão Suicida Crítica

Esquadrão Suicida divide fãs e críticos

Esquadrão Suicida segue os passos de Batman vs Superman e causa polêmica ao dividir fãs e críticos. Antes mesmo da estreia já haviam saído alguns reviews em sites especializados e a maioria falava mal do filme. Realmente o filme não é primoroso, tem muitos defeitos, mas diverte em muitos momentos e merece ser visto.

A trama não tem muito segredo. Amanda Waller reúne um time de vilões, pessoas descartáveis para a sociedade, para missões potencialmente suicidas, plot que já tinha sido mostrado nos trailers. Aliás os trailers mostraram boa parte do filme, pra variar.

Já de cara me deparo com algo incômodo: a trilha sonora. Ótimas músicas mal utilizadas, como se apenas tocar uma playlist fosse suficiente para causar o impacto que se espera de uma trilha sonora.

Outro problema do filme é a montagem. Percebe-se claramente que ou a edição foi muito relapsa ou aquelas re-filmagens que fizeram para o filme foram mal encaixadas. Logo nos primeiros minutos já é possível ver cortes que causam estranheza, cenas interrompidas secamente tendo ao fundo músicas que se sucedem sem proporcionar clima algum. Pena pois as músicas são muito boas e vão de Creedence à Black Sabbath, passando por AC/DC, Eminem, Queen e muitos outros. A trilha sonora original por outro lado é muito fraca, o que não faz jus a tradição dos filmes da DC que sempre contam com trilhas marcantes.

A apresentação dos personagens foi mais um problema. Chegou a ser uma cena realmente boba. Amanda Waller, em um restaurante, descreve um por um do time enquanto corta sua carne e come pra valer. Nessa hora aparecem animações na tela pra explicar e nada do que ela fala teria me convencido de estar ouvindo uma boa ideia, mas os caras compram facilmente.

Para aliviar todos esses problemas temos ao menos alguns bons atores para ajudar o filme. É o caso de Will Smith como o Pistoleiro. A história dele é a mais bem desenvolvida e ele está muito bem no papel, com seu carisma habitual. Outra que se deu bem no personagem foi Margot Robbie como a Arlequina. As cenas dela são divertidas, ela é linda e louca, como esperávamos que fosse. Os dois centralizam quase que todas as cenas do filme e existe muita interação entre eles, o que algumas vezes parece forçado e pode incomodar alguns. Por outro lado Katana e Crocodilo foram muito mal aproveitados, Amarra então nem se fala. El Diablo é dos “secundários” o que foi um pouco melhor aproveitado, mas mesmo assim passou muito rápido. Capitão Bumerangue é engraçado, mas o roteiro poderia ter ajudado mais esse personagem também.

O Coringa

Agora falemos sobre o Coringa. Infelizmente aqui temos um grande problema. Não que Jared Leto tenha feito um trabalho ruim, afinal o talento dele é indiscutível. O problema de novo é o roteiro. Jared Leto disse ter gravado muitas cenas que foram cortadas, mas eu me pergunto: teriam justificado a presença do Coringa no filme? Pois se fossem cortadas todas as cenas dele pouco isso teria influenciado no filme. Está claro que ele foi colocado pra chamar atenção do público, já que os demais personagens são desconhecido da grande massa. Medo de não atrair público para os cinemas foi o que fez com que apresentassem o icônico vilão nesse filme e o resultado foi contraproducente. Na verdade o Coringa que nos foi mostrado tem o mesmo problema do Lex Luthor de Batman V Superman. Assim como o Lex de Zack Snyder não se parece em nada com o Lex Luthor tradicional (aliás, curiosamente, ele estava mais para Coringa do que para Lex Luthor nessa versão), o Coringa de David Ayer estava mais para um príncipe da máfia, uma mistura de Justin Bieber e Al Capone. Todo o interesse dele é em salvar sua “rainha”, nada mais. Tem até uma cena dele com Arlequina envolvendo um tanque de produtos químicos (o que remete à origem tradicional do Coringa) abordada de um modo no filme que me fez pensar no quanto a mente do diretor é realmente problemática, cheia de fetiches bizarros mesmo. Enfim, me deu saudades de Ledger.

img2Cara Delevingne como Magia está sendo massacrada pelos críticos e com razão. A atuação dela é muito ruim. A cena final dela chega a ser engraçada, mas não era pra ser. No outro extremo dessa balança fica Viola Davis como Amanda Waller, excelente. Ela é ameaçadora, fria, totalmente badass e rouba a cena toda vez que aparece. A Waller tem mesmo essa truculência e a atriz fez um trabalho ótimo.

A cena do bar (que está no trailer) também é bem fora do contexto. Tentaram humanizar os vilões nessa hora e fazer com que todos ficassem amigos. Cliché ao extremo. Essa forçada na construção das relações entre eles foi algo ruim e haviam muitas alternativas narrativas para fazer isso decentemente, ou simplesmente não fazer. Melhor manter o time funcional apenas do que ter que ouvir de um dos caras maus, verdadeiro assassino, que considera aqueles outros bandidos sua familia, após apenas algumas horas de missão.

Sobre a tentativa de humor é nítida a mudança de tom da DC nesse filme. Os filmes da DC são sempre mais sérios e nesse está cheio de piadinhas. Muitas funcionam, outras simplesmente não.

O ato final é complicado. Ficou clichê, sem muita urgência, com resoluções bobas e excesso de CGI.

Esquadrão Suicida serve como ligação entre os filmes, algo que a DC demorou para fazer. O filme começa exatamente de onde parou Batman Vs Superman (que por sua vez começou pouco depois de O Homem de Aço) e termina dando o gancho para o filme da Liga da Justiça. As aparições do Batman foram úteis nesse sentido, dando a liga na coisa toda. Conclusão: o filme diverte, é legal de se ver, mas peca em muitos aspectos. Não é o pior filme de super heróis já feito, mas está longe de ser obra prometida por toda a expectativa gerada ao longo dos meses que antecederam seu lançamento. Um pouco mais de cuidado e menos interferência do estúdio e teríamos visto um resultado bem mais satisfatório.

Só uma dica: há uma cena extra no meio dos créditos.

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