Reboots com elenco feminino: Isso é mesmo necessário?

Reboots com elenco feminino: Isso é mesmo necessário?

Depois do polêmico reboot de Caça-Fantasmas dirigido por Paul Feig,  que colocou apenas mulheres no elenco de protagonistas, chegou a vez de outra franquia clássica protagonizada por homens voltar ao cinema conduzida por mulheres:  The Ocean’s Eight será um spin-off da Trilogia Ocean (Onze Homens e Um Segredo, Doze Homens e um outro Segredo e Treze Homens e um Novo Segredo)e contará com um elenco de primeiríssima classe liderado por ninguém menos que Sandra Bullock, sob a direção de Gary Ross (Jogos Vorazes). O filme tem como produtores os próprios Steven Soderbergh e George Clooney, diretor e ator principal da trilogia original.
Mas será que essa onda de colocar mulheres protagonizando clássicos é algo necessário? Recentemente foi anunciado que a Marvel substituiu Tony Stark por uma jovem mulher negra chamada Riri Williams para vestir a armadura do Homem de Ferro, o que dividiu opiniões entre os fãs e um debate em torno de escalar Gilliam Anderson como agente 007 em um novo filme também causou controvérsia.

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A verdade é que a maneira como a mulher é retratada em Hollywood e o modo como as atrizes são tratadas do ponto de vista profissional têm sofrido críticas cada vez mais severas. Quantos grandes protagonistas masculinos  existem para cada feminino retratado no cinema? Qual a diferença salarial entre atores e atrizes no cinema? Existe uma ditadura no padrão estético imposto à atrizes em atividade que determina a duração de suas carreiras? Essas perguntas podem ser facilmente respondidas quando pensamos nos filmes que assistimos recentemente ou fazendo uma breve pesquisa. Quantos dos 10 últimos filmes que assistimos são protagonizados por mulheres? Desses retiremos aqueles em que a mulher é sexualizada, ou depende de um salvador do sexo masculino que se torna seu interesse romântico, ou tenha a beleza e juventude como aliadas. Certamente a conta fica difícil, não é mesmo? Sobre os salários campanhas tem sido feitas e atrizes tem verbalizado muito à respeito da valorização profissional do ponto de vista econômico. Basta dizer que a diferença de ganhos do ano anterior entre o atual ator mais bem pago de Hollywood, Robert Downey Jr, e a atriz que atualmente é a mais bem paga, Jennifer Lawrence, é de mais de 30 milhões.

O modo que a indústria do cinema vem representando a mulher está ultrapassado e reforça padrões que já estão sendo desconstruídos a olhos vistos. Por exemplo, se fizessem um filme sobre um grande craque do futebol, qual seria o enredo provável? “Rapaz de origem humilde demonstra incrível talento desde a infância e encontra uma oportunidade de mudar sua vida através do esporte”.  Plausível, não é? Mas e que tal trocarmos para: “Garota talentosa supera dificuldades e preconceitos e se torna ídolo mundial no futebol”? Talvez houvesse polêmica não fosse pelo fato de ser uma realidade através da história de vida da nossa jogadora Marta. Podemos dizer então que as mulheres não são apenas mães, ou sempre se valem da beleza ou do sexo para alcançar seus objetivos, ou só se completam quando tem o amor de um homem, ou apenas realizam grandes coisas quando são jovens, entre outros cliches reforçados ainda pelo cinema. A mulher real desempenha papéis que não necessariamente tem relação direta com seu gênero.

img3Um exemplo de filme que traz uma mulher como protagonista num papel que o fato de ela ser mulher pouco interfere na trama é Gravidade. Sandra Bullock interpreta a Dra. Ryan Stone, um personagem que poderia ser interpretado por um homem e não mudaria em nada a história. Outro exemplos são Imperatriz Furiosa de Mad Max  Estrada da Fúria, interpretada por Charlize Theron, Ellen Rypley de Alien, interpretada por Sigourney Weaver, a Lucy de Scarlett Johansson e a Rey de Star Wars: A Origem da Força. Infelizmente personagens assim raramente são oferecidos às atrizes.

A Mulher Maravilha nesse ponto peca, pois mesmo sendo extremamente badass e tendo poderes inimagináveis, no final ela precisa do amor de um homem para se completar. Outro caso desses é Eowyn de O Senhor dos Anéis. A personagem é corajosa, cheia de fúria e não quer ser tratada de modo inferior por ser mulher, mas depois de todos os atos de bravura que pratica no decorrer da história ela abre mão de seus ideais após descobrir o amor verdadeiro em Faramir.

Enfim, então a questão é: ter mulheres em papéis clássicos do cinema é algo necessário? Ter personagens originais, em histórias originais, provavelmente seria algo mais interessante, mas a iniciativa de mostrar que mulheres e homens podem interpretar os mesmos papéis, assim como já fazem na vida real sob inúmeros aspectos, é sim algo muito válido. No futuro espero que a expressão “personagem feminino forte” deixe de existir. Até mesmo a Disney tem demonstrado disposição em rever seus conceitos, criando a princesa Moana, que não terá um príncipe. Por um cinema com menos Belas Adormecidas e mais Moanas eu voto SIM!

E você, qual sua opinião?

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