Cavaleiro de Copas Crítica

Cavaleiro de Copas : Mais um filme reflexivo do diretor de Árvore da Vida

Terrence Malick é um diretor do tipo que não está preocupado em fazer filmes comerciais, mas sim que elevem o expectador a um outro nível. Cavaleiro de Copas, assim como seu premiado Árvore da Vida, te imerge em questionamentos filosóficos através de uma combinação de imagens, texto e trilha sonora, que fazem do ato de assistir a um filme uma experiência abrangente e rica.

Logo no início do filme a voz de Ben Kingsley narra o Hino da Pérola, cantado por São Tomé no livro apócrifo de Atos de Tomé. Nele é contada a história de um príncipe enviado por seu pai, O Rei dos Reis, ao Egito para recuperar uma pérola de grande valor que está em poder de uma serpente. Chegando lá o príncipe é seduzido pelos habitantes da terra e se esquece de sua identidade, de sua origem e de sua missão. Mas o rei usa de meios para relembrar ao príncipe aquilo que esqueceu, de modo que ele possa retomar sua missão de resgatar a pérola e voltar para casa com ela. Na sequência o filme passa a narrar a história de Rick (Christian Bale) um roteirista vivendo em Los Angeles. Ele é bem sucedido e vive num mundo de beleza, luxo e glamour, onde as festas não tem fim e as  experiências estão ao alcance de sua mão.

Ele, no entanto, se sente cada vez mais vazio e procura em cada experiência, em cada lugar que visita ou pessoa que passa por sua vida, o sentido de existir.
Cada pessoa importante nessa busca do personagem é associada a uma carta de tarô, exceto a última, que é associada à palavra Liberdade. Imagens e cenas vão se sobrepondo com uma trilha sonora ao fundo que dá o feeling da cena, enquanto frases e textos curtos vão sendo narrados pelos atores, complementando o sentido. Não são cenas comuns, parecem representar memórias, sonhos e reflexões do protagonista. O vazio, a angústia e a melancolia de Rick são sentidas pelo público. Além da narrativa e da trilha sonora, a fotografia é primorosa e vemos os atores comprometidos na composição dessa obra artística tão significativa.

Cavaleiro de Copas - Christian Bale - Cate Blanchett

O filme traz erotismo, desilusões amorosas, vício, drama familiar e uma dura crítica ao estilo de vida fútil de Hollywood. A mulher aparece muitas vezes objetificada, outra crítica ao modo como a mulher é tratada nesse contexto. Temos ainda um tema que já havia sido mostrado em Árvore da Vida: o suicídio. Um meio usado pelo diretor para lidar com essa questão que para ele é pessoal, já que perdeu um irmão dessa forma.

Img3 O filme é um pouco longo demais, repetitivo em alguns elementos e esses seriam pontos negativos. Mas num mundo onde é cada vez mais alucinante a velocidade das informações que nos atravessam sem permanecer, gerando no máximo um incômodo que geralmente não é verdadeiramente vivido, ter a oportunidade de ver um filme e refletir um pouco é algo que não temos todos os dias (ou não buscamos). Do que esquecemos? Quais as seduções desse mundo que nos estão afastando do verdadeiro propósito? Quais os sinais que estão chegando a nós para nos lembrar, mas que estamos ignorando? Qual é a joia que viemos encontrar nessa vida? O filme não tem um desfecho pretensioso a ponto de realmente querer fechar essas questões, mas mostra esperança, uma boa guia nessa jornada humana.

O elenco conta com Christian Bale, Cate Blanchett, Natalie Portman, Wes Bentley, Antonio Banderas, Imogen Poots e Freida Pinto

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