Narcos Segunda temporada crítica

Narcos e a queda de “El Patron”

A segunda temporada de Narcos mostrou uma clara mudança de tom. Se na anterior mostrava um império em ascensão, a segunda mostra sua decadência. Os dezoito meses após a fuga de Pablo Escobar de sua prisão de luxo conhecida como La Catedral foram uma verdadeira caçada e é desse período que se trata a segunda temporada de Narcos.

O agente Steve Murphy (Boyd Holbrook) continua a narrar a história, mas seu papel na trama deixa de ser o do cowboy atrás do malfeitor, como era na primeira. É então que brilha a participação do agente Peña, interpretado pelo carismático Pedro Pascal, que se arrisca transitando entre mocinhos e bandidos para obter seu objetivo: a captura de Escobar.

Tata e Hermilda Gaviria Narcos

Também merecem destaque especial Paulina Gaitan e Paulina Garcia, como a esposa de Escobar, Tata, e a mãe do narcotraficante, Hermilda Gaviria, respectivamente. A força das duas mulheres se faz sentir e fica claro que são elas o grande apoio de Escobar. As duas atrizes mostram grande talento ao interpretar essas figuras maternas que humanizam o criminoso mais perigoso que a Colômbia já viu.

No entanto é a figura centralizadora do anti-herói que domina a temporada. Se antes ele se portava como um rei, absoluto, invulnerável e acima da lei, sempre com um sorriso confiante no rosto, nessa temporada Escobar vai ficando cada vez mais taciturno, a medida que seus inimigos se fortalecem e seus aliados vão diminuindo. O olhar perde a arrogância, a aparência se transforma. Gradativamente o semideus invulnerável vai se tornando humano de novo e o medo vai se insinuando até ficar claro.

Escobar Narcos

A saudade da família, a perda dos homens de confiança e de todos os bens começam a pesar. Num episódio ele vai se encontrar com seu pai, um simples fazendeiro sem qualquer envolvimento com o tráfico. Lá, alimentando o gado e construindo cercas, ele sonha em ter sua própria fazenda, criar os filhos ali, mas a realidade é que esse plano jamais se realizará e é o próprio pai quem o atinge com essa verdade. O sonho é impossível e agora cabe a ele lidar com as consequências da vida que escolheu. Ele é e sempre será Pablo Escobar, rei do narcotráfico, assassino e terrorista. Wagner Moura dá um show e quase é possível criar uma simpatia por seu personagem.

Como já era sabido Pablo morre ao final. O monstro morre diante dos olhos de Holbrook e à ele parece apenas um homem comum, descalço, barba por fazer, desgrenhado, decepcionante. Pablo morreu um dia depois de seu aniversário de 44 anos, foragido, longe da família, sem dinheiro, odiado inclusive pelo povo que  sempre disse ama-lo (mas isso foi antes de ele mandar explodir bombas em shoppings, matando crianças inocentes), tendo ao seu lado apenas seu fiel motorista Limón, que foi morto na mesma operação.

A série confirmou mais duas temporadas, já que se trata do tráfico de drogas e não particularmente de Pablo Escobar. Será que manterá o sucesso sem o carisma de anti-herói de Escobar e o talento de Wagner Moura? Esperemos que sim. Qual o destino de Los Pepes e do Cartel de Cali? As próximas temporadas dirão.

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