Millennium Actress Crítica

Millennium Actress: Homenagem de Satoshi ao cinema

Millennium Actress é um daqueles filmes que te imergem numa verdadeira experiência da qual você não sai da mesma maneira que entrou. Uma das mais importantes obras do diretor japonês Satoshi Kon, o longa de animação é uma bela homenagem ao Cinema e à história japonesa.

Chiyoko Fugiwara é uma grande atriz que há trinta anos está longe das câmeras, reclusa em sua casa nas montanhas. Um produtor decide fazer um documentário sobre ela após a demolição do secular estúdio Ginei, onde toda a carreira da atriz se desenvolveu. Para isso ele vai até a casa dela, junto com um cameraman, à fim de entrevistá-la e de entregar a ela um objeto que acredita ser de importância para a atriz: uma chave.

img2 Genya é na verdade um grande fã de Chiyoko e encontra a atriz  doente e envelhecida, mas ainda muito lúcida e disposta a compartilhar as experiências de sua apaixonante vida.

A narrativa situa bem a vida de Chiyoko na história. Nascida em 1923, durante um terremoto que arrasou parte do Japão, ela viveu os acontecimentos que culminaram no envolvimento de seu país na Segunda Guerra Mundial. Em meio a um clima de conflito dominante naquele tempo, Chiyoko se depara com um rapaz misterioso que está ferido e fugindo da polícia. Ela despista os policiais e o rapaz consegue se esconder. Antes de desaparecer ele lhe dá um objeto, uma chave que ele diz ser a chave da “coisa mais importante que existe” e que um dia ela poderá devolver a ele. Chiyoko se apaixona perdidamente e sonha em rever o cara. Ao receber uma oferta para se tornar uma atriz dos estúdios Ginei ela vê a oportunidade de reencontrar seu amado, já que esse trabalho a levaria justamente para a região onde o rapaz poderia estar. Assim começou sua longa carreira de sucesso, onde sua vida se misturava com as vidas das heroínas que interpretava, personagens que, como ela, estavam sempre em busca de encontrar e proteger o homem amado. Por causa disso suas interpretações eram apaixonantes e arrebatadoras, fazendo com que sua fama se espalhasse pelo Japão.

As cenas das memórias de Chiyoko se sucedem enquanto ela descreve essas experiências. Genya e o cameraman passam a figurar nessas cenas, inicialmente como observadores e, logo depois, atuando de verdade, tomando parte na ação. Uma forma genial que Satoshi usou para representar a grandeza do cinema e o quanto os espectadores se envolvem com as histórias contadas nas telonas. Vida real, memórias e cenas de filmes se confundem e se fundem, ampliando a compreensão da profundidade das emoções envolvidas. Satoshi gosta de brincar com os limites do que consideramos “real”. Fez isso em Perfect Blue, onde uma jovem aspirante a atriz começa a perder a razão e também em Paprika, que trata literalmente de uma máquina de sonhos. Em Millennium Actress o diretor brinca com os limites da realidade de uma forma agradável, nos envolvendo e emocionando. A edição é perfeita e torna essa investida muito coesa, a trilha sonora também coopera para dar o clima certo a cada momento.

Por fim o que importa não é e nem nunca foi encontrar esse amor, mas sim a busca dele, que desenhou todo o percurso da incrível da vida de Chiyoko. Como diriam os sábios:o que realmente importa é o caminho. Millennium Actress é um filme para trazer um pouco do melhor de nós para nossas mentes e corações.

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