Dr. Estranho Crítica

Dr. Estranho é espetáculo visual! (E só)

Fractais, engrenagens, distorções, cores, luzes, espelhos, tudo isso se sobrepondo em velocidade vertiginosa, Dr. Estranho proporciona um verdadeiro banquete para os olhos em um espetáculo que supera em escala o visual de Inception. O investimento e a ousadia podem trazer um reconhecimento inédito para os Estúdios Marvel, já que coloca o filme como um candidato fortíssimo ao Oscar de efeitos visuais. A trilha sonora, assinada por Michael Giacchino (Lost, Star Trek) entra nesse contexto dando uma dimensão a mais para esse rico multiverso construído para o deleite dos sentidos.

Entretanto essa complexidade não é acompanhada pelo roteiro altamente previsível, um padrão dos filmes da Marvel.
Benedict Cumberbatch, como já era esperado, faz um excelente trabalho com o material que lhe é dado. Carismático, sua presença é forte e marcante e ele consegue extrair o máximo de cada oportunidade de demonstrar as camadas de seu personagem. Infelizmente nem mesmo ele pode salvar algumas linhas de diálogo mal escritas e tentativas de piadas que não tem como funcionar. Ele pode ter enormes poderes mágicos, mas fazer piada dentro de um monastério requer mais do que isso, aparentemente.

Dr. Estranho

Stephen Strange é um cirurgião renomado em Nova Iorque. Rico e cheio de si, ele é uma mistura de Dr. House com James Bond. Sua vida muda completamente quando um acidente de carro causa danos irreversíveis em suas mãos. O acidente, como tudo no filme, é mostrado numa cena impactante e exagerada. Strange deveria ter virado recheio de panqueca, mas saiu dessa com um olho roxo (Apollo Creed teria feito um estrago muito maior com os punhos) e as mãos quebradas. Eu teria me sentido um cara de muita sorte, no mínimo. Mas Stephen se sente miserável. Sua função nesse mundo já não pode ser desempenhada, é como se ele tivesse perdido seus “superpoderes”. Sem chance de cura pela medicina ocidental ele ouve falar de um homem que encontrou no Oriente cura para uma severa e permanente lesão na coluna. Stephen então abandona tudo e segue para esse local, sua última esperança.

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Em Katmandu ele encontra um misterioso homem que o leva até um templo secreto chamado Kamar-taj. Lá ele conhece a Anciã, uma poderosa mestre que logo mostra para Stephen que a realidade que conhecemos não é mais que uma ínfima parte do que realmente existe.
Daí para frente tudo é muito corrido. O treinamento poderia render ótimos momentos, mostrando a evolução interna do personagem, mas tudo se passa muito rápido, até o ponto em que Stephen já é o virtual melhor aluno da Anciã e esperança de salvação do planeta. Em um determinado ponto, já possuindo imensas habilidades, Stephen toma conhecimento de Dormammu e simplesmente diz algo tipo: “Uow! Eu só vim aqui pra arrumar minhas mãos, caras! Vou voltar pra casa pra ficar de boa. Vocês se virem com esse destruidor de planetas!” Sério, Stephen? Depois de tudo é isso que você tem a dizer??

O vilão Kaecilius, seguindo a tradição, tem motivações fracas, mas Mads Mikkelsen é extremamente talentoso e tem uma ótima presença, então dá pra engolir.
Chiwetel Ejiofor faz um bom trabalho como Mordo e seu arco tem uma construção razoável, o mínimo necessário para a importância que o personagem provavelmente terá no próximo filme.

A escolha de Tilda Swinton como o Ancião foi motivo de controvérsia, mas Tilda é Tilda e ela dá ao personagem sua aura de leveza que insinua poderes e conhecimentos imensos subjacentes.
Rachel McAdams é apenas a mocinha que se assusta e costura. Mas, de certo modo, num contexto onde os personagens podem dobrar o tempo e a realidade com as mãos, ela está presente nos momentos de vulnerabilidade  deles, tentando salvar suas vidas com conhecimentos e ferramentas da nossa realidade conhecida.

O ato final é ainda mais apressado, uma imensa sequência de perseguição e luta. O embate final entre Kaecilius e Strange não tem uma conclusão conforme os padrões conhecidos, pois fica claro que o verdadeiro vilão é Dormammu e ele não pode ser simplesmente destruído ainda. Às vezes (muitas vezes) a inteligência supera a força e isso é tudo que tenho a dizer sobre o assunto.

O filme é muito interessante e visualmente impressionante, tem os clichês típicos da Marvel mas diverte, e muito. Dói quando pensamos naquilo que poderia ser, especialmente no que se refere a construção de personagens. A  obrigatoriedade do humor também nunca foi tão negativamente sentida em um filme da Marvel. Cumberbatch chega a parecer desconfortável em algumas cenas. Gente, que tal contratar um humorista bom de verdade para escrever essas inserções com algum timing? Fica a dica.

Vá assistir Dr. Estranho com seu modo crítico em nível iniciante, de preferência em salas 3D e com a maior tela possível e aproveite a experiência. Tem duas cenas pós crédito que estão bem legais, não saia sem elas.
Coloque nos comentários o que achou do primeiro filme do Mestre Supremo da Magia.

P.S: Não gostei da nova abertura da Marvel no cinema. A anterior remetia aos quadrinhos

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