O Exorcista Série Primeira Temporada

O Exorcista: série investe em sustos e imagens chocantes

Ao ser anunciada há alguns meses atrás, a série da Fox O Exorcista (baseada no livro O Exorcista de William Peter Blatty) gerou uma mistura de ceticismo e expectativa na maioria dos fãs do livro e de sua adaptação para o cinema estrelada por Linda Blair.
O primeiro episódio foi uma grata surpresa. Cheio de referências, trilha sonora incrível, boas atuações do elenco, uma bela dose de suspense no ar, o clima era promissor. Mas infelizmente a série caiu no terror óbvio e perdeu muito de seu encanto.

Na série vemos a continuação da história contada no livro. Referências ao Padre Merrin e Carras pipocam aqui e ali. Outra vez o inimigo é Pazuzu que está de volta para desafiar a fé dos homens de Deus. Mas para quê? E o mais importante: como? Os meios pelos quais Pazuzu se manteve vivo e conseguiu rastrear os passos de Regan, sua antiga “anfitriã”, assim como as motivações para sua obsessão por ela, são obscuros. “Coincidentemente” o antigo demônio encontra Regan em Chicago, no centro de uma conspiração diabólica para assassinar o Papa durante sua passagem pela cidade. Creio que seja abusar um pouco do bom senso dos espectadores esperar que se envolvam num plot tão preguiçoso. O clima tenso que percebemos no livro e no filme está presente, mas perde terreno constantemente para os sustos baratos e o terror escrachado. Os personagens são mal construídos, com exceção dos padres Tomas e Marcus, os mocinhos da série.

O Exorcista SérieGeena Davis interpreta Angela Rance, uma esposa e mãe que é a fortaleza de sua família. É ela que percebe algo estranho acontecendo em sua casa e logo pede ajuda ao padre de sua paróquia, Tomas Ortega, vivido por Alfonso Herrera.

Infelizmente Geena Davis atua de forma um tanto apática em relação ao esperado diante dos acontecimentos à sua volta. Não que ela seja uma má atriz, mas está meio inexpressiva nessa série. Apenas nos dois episódios finais da temporada ela mostra sua capacidade interpretativa. Por outro lado Ben Daniels como padre Marcus ás vezes soa meio exagerado, mas agrada com seu carisma. Esperava que ele fosse mais austero, como o velho padre Merrin, mas constantemente ele parece ser alguém com sério desequilíbrio emocional. Seu histórico não é muito claro também. Tudo que se sabe é que ele fora recrutado pela igreja desde a infância por ser órfão e não ter nada a perder para ser uma espécie de guerreiro contra demônios.

Já o padre Tomás tem um histórico que desperta mais empatia. Ele é um sacerdote em ascensão,  representando a renovação da igreja católica, que o considera uma nova estrela. Sua avó sempre disse que ele poderia ser o primeiro papa mexicano, mas ele não parece se importar com isso. Sua fé e a consciência de seu dever parecem estar muito acima dessas questões de pura vaidade. Parecem. Aos poucos vemos como internamente ele luta contra seu ego e seus desejos carnais, que muitas vezes colocam sua fé, que é genuína, em xeque. É uma jornada com a qual o público facilmente consegue se identificar. O ator está ótimo no papel, na verdade é o destaque do elenco.
Hannah Kasulka como Casey, a filha de Ângela que está sob a influência demoníaca, não está mal, mas o roteiro não a ajuda. Brianne Howley como a irmã meio rebelde Kate está bem, mas seu personagem é mais interessante na primeira metade da temporada, depois para de ser desenvolvido. O pai da família Rance, Henry, um homem que se recupera lentamente de um grave acidente, é interpretado por Alan Ruck e eu gostei de vê-lo, mas como fã de Cameron (Ferris Bueller’s Day Off) talvez minha visão não seja imparcial.

A trilha sonora é um elemento cuja alta qualidade se mantém durante toda a temporada. Com certeza a experiência de assistir essa série seria muito menos impactante sem ela.

O diretor é Jeremy Slater, atualmente envolvido com o roteiro da adaptação live action do anime de sucesso Death Note. Ele também foi responsável pelo roteiro de Quarteto Fantástico (2015).

Enfim, a série O Exorcista tem ótimos momentos e vale a pena ser assistida. Mas poderia ser muito melhor se não tivesse a pressa de assustar, recorrendo a imagens chocantes e situações exageradas cujas consequências seriam severas demais para lidar e por isso simplesmente são deixadas de lado. Mais clima, mais tensão, mais investimento na construção sutil de um medo profundo ao invés de sustos esquecíveis teriam dado mais orgulho ao velho Pazuzu.

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