Sete Minutos Depois da Meia-noite Crítica

Sete Minutos Depois da Meia-noite é um filme que todos devem ver

A Monster Calls, cujo título no Brasil é Sete Minutos Depois da Meia-Noite, é uma produção americo-anglo-espanhola dirigida por J.A. Bayona(O Impossível). Baseado no livro homônimo de Patrick Ness (que, por sua vez, se baseou na ideia da autora Siobhan Dowd, que morreu de câncer antes de poder escrever o livro), o filme conta a história do jovem Conor, um adolescente que precisa lidar com questões dificílimas em sua vida tais como bullying, abandono, doença e morte.

Conor é uma criança do tipo socialmente invisível. Criado apenas por sua mãe (Felicity Jones), com ajuda de sua autoritária avó (Sigourney Weaver), ele vive na Inglaterra numa existência muito solitária. Tendo como amigos apenas sua mãe e seus desenhos, Conor passa horas entre lápis, crayons e aquarelas. Na escola sofre bullying, mas isso não é o que mais o aborrece. Sua mãe tem estado cada vez mais doente e ele não sabe como lidar com a situação. Todos lhe dizem que tudo ficará bem, ele diz isso para si mesmo, mas está ficando cada vez mais claro que nada ficará bem. Como lidar com essas emoções? Como dizer tudo que é preciso? Como se portar diante da mãe de modo a ajudá-la? Como agir perante uma sociedade que considera inapropriado extravasar emoções? Conor está prestes a explodir quando um monstro gigante, meio árvore, meio homem, vem buscá-lo em seu quarto, perto da meia-noite. O monstro é assustador, violento, selvagem. Ele se propõe a contar ao garoto três histórias e a quarta é Conor quem deve contar, aquela sobre a verdade mais escondida, a que ele mais teme.

A jornada de Conor junto ao monstro é triste, violenta e profundamente realista, embora a fantasia seja um elemento crucial em seu caminho rumo a compreensão do mundo à sua volta. Aos poucos Conor vai aprendendo, entre muitas coisas, a lição mais difícil de todas: que as histórias reais não terminam com “e viveram felizes para sempre”.

Sete Minutos Depois da Meia-Noite
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Lewis MacDougall está excelente como Conor. Sua atuação transmite bem a fúria contida prestes a explodir do personagem. Felicity Jones e Sigourney Weaver também estão ótimas como a doce mãe de Conor e a dura avó que, a seu modo, também precisa lidar com uma perda dolorosa.

Liam Neeson interpreta o monstro. A dublagem está mesmo perfeita e o visual, que lembra um pouco nosso querido Barbárvore, está ótimo. Os efeitos especiais não são gratuitos, eles existem para dar a dimensão do mundo imaginativo dentro da mente de Conor que contrasta com a dura realidade a sua volta, proporcionando uma experiência visual imersiva, ainda mais aprofundada pela atuação da trilha sonora que é bem pontual (embora não tão marcante).

A história é bela e, para todos nós que fomos crianças e ainda lembramos de como era lidar com coisas superiores a nossa capacidade, é impossível não ter empatia com o protagonista. O monstro que temos em nós, criado pela insegurança, medo, raiva, entre outras emoções negativas que  buscamos suprimir, guarda também sabedoria e compreensão, se soubermos ouvir sua voz. Ele pode ser nosso melhor amigo, no final das contas. Filme mais do que recomendado, junto com uma caixinha de lenços, de preferência.

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