Até o Último Homem Crítica

Mel Gibson volta por cima na direção de Até o Último Homem

Mel Gibson retorna como diretor após um hiato de dez anos no  excelente filme Até o Último Homem (Hacksaw Ridge), que retrata a violência desmedida da guerra e o poder da coragem baseada na convicção.

O filme conta a história de Desmond Doss (vivido por Andrew Garfield), um rapaz seguidor da doutrina da Igreja Adventista do Sétimo Dia que se alista no exército após o ataque de Pearl Harbor para ser um socorrista em campo de batalha. Como objetor de consciência ele se alista com a condição de não portar armas, o que lhe causa inúmeras dificuldades durante o treinamento e gera desconfiança por parte dos seus companheiros, que o classificam como covarde. Após muita insistência ele recebe permissão para ir para a guerra e vai para Okinawa, onde seu pelotão tenta tomar um bunker dos japoneses para controlar a região. É uma premissa típica de filme de heroísmo americano feito em Hollywood, exceto que a história é baseada na vida de uma pessoa real.

Apesar dos filmes de Segunda Guerra estarem meio batidos nos cinemas, sempre haverá espaço para se contar histórias reais inspiradoras que não chegam ao conhecimento do público. Na primeira parte do longa conhecemos as motivações de Desmond. Seu pai, o veterano da Primeira Guerra Tom Doss(Hugo Weaving) é alcoólatra e cheio de traumas de guerra. A relação dele com o pai agressivo, com a mãe religiosa e com seu irmão moldam Desmond e suas convicções de forma muito profunda, fazendo dele um rapaz religioso e pacifista que ao mesmo tempo é consciente de seu dever para com os ideais políticos de seu país.

Até o Último Homem

Mel Gibson trata a guerra de forma visceral (literalmente) e te coloca no meio da batalha com muito realismo. A romantização da  guerra é deixada de lado e ela é mostrada como de fato é: violenta, sangrenta, desumana e irracional. Tal qual Paixão de Cristo as cenas não poupam detalhes que podem realmente chocar alguns espectadores. Mas se havia alguma dúvida sobre a necessidade de mostrar tamanha violência no filme sobre a crucificação tal dúvida não deve existir em Até o Último Homem: a guerra é horrível e intensamente cruel e o diretor não deixa espaço para dúvidas. Fica a critério de cada um pensar se ela vale ou não a pena.

Enquanto as cenas de guerra são bem feitas, há alguns momentos da primeira parte do filme em que se notam efeitos que mais parecem coisa de filme de baixo orçamento. São realmente bem visíveis. A trilha sonora, assinada por Rupert Gregson-Williams (The Crown) é boa, mas não marcante. As atuações de Hugo Weaving e Andrew Garfield estão excelentes. O primeiro transparece bem o homem traumatizado e cheio de terrores internos indizíveis e o segundo tem a pureza e a firmeza de um rapaz simples e cheio de determinação. Destaque para Vince Vaughn cujo carisma de comediante empresta um toque de humor para a história essencialmente dramática.

O filme peca ao seguir a velha cartilha mostrando apenas um lado da guerra, como se fossem os mocinhos em meio aos vilões cruéis e suicidas. Faltou também uma abordagem maior dos conflitos do protagonista, como as dificuldades que ele deve ter enfrentando nas missões ao se recusar tocar em armas ou os conflitos morais e religiosos dele diante dos inúmeros feridos japoneses com os quais ele deve ter se deparado em campo.

Até o Último Homem, apesar de algumas falhas e algumas diferenças históricas, é um excelente filme de guerra. Cru, violento e sangrento como a guerra é e, ainda assim, um palco onde a coragem pode se sobressair ao caos sem justificá-lo.

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