Jackie mostra as facetas da primeira-dama mais famosa dos EUA

Jackie mostra as facetas da primeira-dama mais famosa dos EUA

Jackie, primeiro filme de língua inglesa do diretor chileno Pablo Larraín (Neruda), é um drama biográfico sobre o dias sequentes ao assassinado de John Kennedy na versão de Jacqueline Kennedy, a Primeira Dama preferida dos americanos.

Tentar desvendar os verdadeiros sentimentos e motivações dessa mulher que era tão midiática quanto insondável não seria tarefa fácil e poderia facilmente jogar qualquer trabalho à respeito num mar de clichês. Mas Jackie é diferente, começando por não se demorar jamais na figura de JFK, nem nas teorias sobre seu assassinato brutal. Também sequer mencionam Marilyn Monroe, nem mesmo em benefício da construção da personagem de Mrs. Kennedy. O filme traz a versão de Jackie sobre a época, seu luto e suas atitudes sob tais circunstâncias. A verdade é aquela que precisa ser dita em ordem de construir um mito e dar um significado para esse evento que comoveu o mundo e ainda permanece envolto em mistérios.

Jackie, algumas semanas após o trágico evento, recebe um jornalista em sua casa para lhe conceder sua versão sobre aquela época tempestuosa na qual ela se viu no centro. Entre trechos narrados de forma cuidadosamente calculada ela deixa escapar algumas frases que realmente transparecem sua fragilidade e tristeza. Mas a mulher em luto que perdeu o marido e o pai de seus filhos pequenos rapidamente sai de cena e volta A Viúva do Presidente, vociferando: “Não pense, nem por um instante, que permitirei que você publique isso!” A narrativa passeia entre o presente, o passado próximo e um passado mais distante, anterior ao atentado, de modo que várias “Jackies” são apresentadas. A sorridente e recatada Primeira Dama que costumava apresentar na TV o interior da Casa Branca para o povo americano, a mulher assustada e à beira de um colapso que acabara de presenciar o assassinato do marido, a mãe que precisa consolar os filhos, a mulher proeminente no cenário político que precisa seguir alguns protocolos e a mulher que, completamente sozinha, tem que tirar o sangue do marido do corpo e dos cabelos.

Jackie Natalie PortmanMas o filme traz ainda uma outra faceta, em nada relacionada a entrevista, que vem a tona nos momentos em que ela conversa com um piedoso padre, interpretado por John Hurt, ator que faleceu  recentemente. Nessas conversas Jacqueline se mostra mais humana, cheia de dúvidas, revolta, tristeza e onde ela revisita e reavalia as próprias ações.

Natalie Portman está incrível como Jacqueline. As feições da atriz pouco lembram a da ex-primeira dama, mas ela tem o mesmo tipo de beleza delicada e o largo sorriso. A atriz se empenhou em reproduzir o modo como Jackie falava, a voz, o sotaque, o tom. A princípio pareceu meio afetado, mas com o passar das cenas ficou claro o maravilhoso trabalho da atriz. A cenografia é incrível e junto com o figurino excelente conseguem reconstruir bem aquela época. A trilha sonora de Mica Levi (Under the Skin) é algo experimental e tem o poder de aprofundar a tristeza de uma cena ou alivia-la, conforme a necessidade. A fotografia de Stephane Fontaine (Capitão Fantástico) é bela e instigante, com muitos closes tão próximos que quase podemos entrar na cabeça da personagem.

Jackie é um filme que mostra uma abordagem diferente de tudo que já vimos sobre biografias de personalidades americanas. É um deleite para quem gosta de cinema e põe em evidência o talento do diretor Pablo Larraín.

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