Moonlight é uma emocionante jornada em busca de autoconhecimento e identidade

Moonlight é uma emocionante jornada em busca de autoconhecimento e identidade

Moonlight: Sob a Luz do Luar é o tipo de filme que você pode assistir de tempos em tempos e ele sempre vai te tocar de alguma forma. É um drama humano, autêntico, sem vilões nem mocinhos, que trata da eterna busca por autoconhecimento, das escolhas que fazemos (ou não fazemos), de arrependimento e de perdão. O filme é dividido em três capítulos e acompanha a vida de Chiron, desde a infância até a idade adulta.

O primeiro capítulo intitulado “Little” mostra Chiron(Alex R. Hibbert) ainda criança, sendo criado numa vizinhança barra-pesada em Miami. Na escola tem apenas um amigo, um garoto chamado Kevin. Os outros garotos zombam dele e o perseguem sem que Chiron compreenda o motivo. Juan (Mahershala Ali), o chefe do tráfico naquela região, simpatiza com o menino e passa a protegê-lo junto com sua companheira Teresa (Janelle Monáe). A mãe de Chiron, Paula (Naomie Harris), é uma viciada em crack que compra drogas de Juan. A construção dos personagens é incrível e é impossível não simpatizar com Juan e Teresa, ou não ter empatia pela mãe problemática de Chiron. A fórmula usada para criar personagens tão magnéticos foi a combinação do roteiro bem escrito e dirigido por Barry Jenkins, a cinematografia de James Laxton  que nos deixa íntimos dos personagens e nos envolve em momentos quase oníricos (como a cena em que Chiron aprende a nadar), a trilha sonora de Nicholas Britell (Doze anos de Escravidão, Whiplash) que dá profundidade para as emoções e situações mostradas e, com certeza, as excelentes atuações de todo o elenco, especialmente Mahershala Ali, Janelle Monáe e Naomie Harris.

Moonlight : Sob a Luz do Luar

A segunda parte, “Chiron”, mostra a adolescência do garoto, agora  interpretado por Ashton Sanders. As coisas na vida de Chiron mudaram para pior, tanto em casa quanto na escola. Se sentindo deslocado e ameaçado ele começa a entrar em conflito com sentimentos que ele não compreende. O bullying está cada vez mais violento na escola e Kevin (Jarrell Jerome) anda distante. O vício da mãe também piorou e o rapaz está cada vez mais acuado. No meio dessa confusão ele passa por uma experiência que faz com que seus conflitos interiores entrem num breve cessar-fogo e ele se sinta bem consigo mesmo pela primeira vez. Mas esse estado de contentamento dura pouco e as circunstâncias o levam por um caminho não planejado. Chiron acaba tendo que se tornar a pessoa que precisa ser, capaz de sobreviver, alguém muito diferente de si mesmo.

(leves spoilers)

“Black” traz Chiron (Trevante Rhodes) já adulto. Ele se transforma em uma versão de Juan, a única figura masculina que o inspirou na vida. Temido e respeitado no submundo do tráfico, ele não lembra em nada a criança sensível ou o adolescente tímido que costumava ser. Mas dentro dele as mesmas lacunas ainda persistem, algo que ninguém poderia suspeitar a julgar por sua aparência. Mas a jornada de Chiron, marcada por profundas mutações, ainda não chegou ao fim e o destino traz de volta para ele a oportunidade de, enfim, descobri-se e, quem sabe, ser ele mesmo, em toda sua plenitude. Filme marcante que nos faz pensar: entre todas as circunstâncias que nos envolvem, quem de fato somos nós?

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