Fragmentado, de M. Night Shyamalan, traz a melhor atuação de James McAvoy

M. Night Shyamalan é um diretor de altos e baixos. O Sexto Sentido (Sixth Sense, 1999), seu grande sucesso, veio seguido de alguns grandes fracassos de crítica como A Dama na Água (Lady in the  Water, 2006) e Depois da Terra (After Earth, 2013) por exemplo. Fragmentado (Split, 2017) felizmente mostra o melhor que o diretor tem a oferecer e certamente vai te prender do início ao fim.

Anya Taylor-Joy (A Bruxa) é Casey, uma jovem problemática que é sequestrada após sair de uma festa de aniversário, junto com outras duas colegas de sua escola. O sequestrador as tranca num quarto que parece ficar no subsolo. Logo elas percebem algo realmente bizarro: cada vez que o sequestrador entra no quarto ele se apresenta sob uma identidade diferente, usando vozes, trejeitos e roupas distintas. O sequestrador em questão é um rapaz chamado Kevin (James McAvoy) que sofre de Transtorno Dissociativo de Personalidade e tem dentro de sua mente vinte e três personalidades diferentes.

A psiquiatra Karen Fletcher(Betty Buckley) acompanha seu caso mas, apesar de seus esforços e de seu genuíno interesse pela condição de Kevin, sem que ela perceba duas das personalidades mais hostis de seu paciente passam a comandar sua mente, em detrimento das outras personalidades absolutamente inofensivas. Trata-se de Dennis e Patricia, ambos cúmplices no sequestro das três garotas.

Mas não se trata de um filme realista sobre doenças psiquiátricas. A Dra. Fletcher  tem uma teoria de que pessoas com  transtorno dissociativo podem mudar a química de seus cérebros e a constituição de seus corpos, adquirindo capacidades e habilidades diferentes do que originalmente possuem. Ou seja: uma nova gênese para super humanos. Personagens com poderes sobre-humanos já foram mostrados no filme de Shyamalan, o Corpo Fechado (Unbreakable, 2000). Segundo a teoria da Dra. Fletcher a pessoa se torna naquilo que acredita.

Acontece que Dennis e Patricia crêem que uma nova personalidade, a vigésima quarta, está para surgir na mente de Kevin. Eles a chamam de A Besta e ela é realmente monstruosa. As garotas seriam seu primeiro banquete. Três garotas que nunca sofreram nenhum dissabor na vida, intocadas pela dor e pela tristeza. Tais tipos são considerados impuros pela Besta e só servem para sacrifício, que expiaria a culpa por nunca terem sofrido na vida. Acontece que uma delas não é esse tipo de pessoa.

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Anya Taylor-Joy tem esse apelo para filmes de terror e suspense já mostrado no filme A Bruxa, com seu ar melancólico e olhar peculiar. Aqui ela faz um ótimo trabalho também. Betty Buckley como a psiquiatra de Kevin é uma graça de carisma impecável. Mas é James McAvoy quem realmente domina o filme. O ator escocês é muito expressivo e usa toda a sua capacidade para dar vida a múltiplos personagens, sem cair na canastrice. Talvez seja a sua melhor atuação até hoje.

A trilha sonora de West Dylan Thordson é meio sutil, mas cumpre bem sua função de potencializar o suspense.

Quando achei que o filme tinha acabado eu estava feliz. Sem uma desnecessária tentativa de final twist, estava satisfeita com o que tinha visto até ali. Afinal nem todo filme precisa acabar como o Sexto Sentido ou A Vila, não é mesmo? Mas, como os bons plot twists devem ser, fui pega de surpresa e fiquei de boca aberta na cena final. Não falarei nada mais.

Fragmentado é um dos bons filmes de Shyamalan e, com os futuros projetos dele já despontando no horizonte, nos resta torcer para que ele continue por cima.

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