A Vigilante do Amanhã – adaptação de Ghost in the Shell acerta no visual

Ghost in the Shell, no Brasil A Vigilante do Amanhã, chega aos cinemas e muita gente pode acusar o mesmo de ser cópia do filme Matrix. Antes de mais nada quero explicar que Matrix, lançado em 1999, é que foi inspirado em Ghost in the Shell (1995), fato declarado abertamente pelas irmãs Wachowski, diretoras e produtoras do filme. Ao que parece o enorme impacto de Matrix no universo cinematográfico acabou fazendo com que essa adaptação fosse tímida em se aprofundar em seu próprio universo, colocando-a como mais um filme de ação futurista comum, sem realmente abordar as ideias que o Ghost in the Shell original contém.

Num futuro não tão distante grande parte da população tem alguma parte do corpo  aperfeiçoada através de implantes cibernéticos. Major Mira (Scarlett Johansson) é uma ciborgue que tem todo o corpo mecânico, mantendo apenas seu cérebro humano original. Daí vem o Ghost in the Shell – onde ghost seria a alma e o shell, a concha, seria como corpo que  abriga essa alma. Major é a primeira do seu tipo e é líder de uma divisão da policia que combate o terrorismo cibernético. Depois de um tempo ela começa a desconfiar daquilo que seus criadores lhe contaram sobre seu passado e as circunstâncias de sua criação, mas os questionamentos filosóficos do original sobre o problema mente-corpo, o que significa ser humano, a questão ética envolvendo uma sociedade cada vez mais mecanizada e tecnológica, não são abordadas aqui. Ela é uma vingadora tentando descobrir seu passado para ter sua identidade de volta. Não chega a ser uma decepção que tenham deixado as ideias principais do anime de fora, pois jamais alguém poderia sequer imaginar que Hollywood faria um filme com esse nível de complexidade. É apenas triste. Já o visual não deixa nada a desejar: o conceito, os figurinos, o design, tudo muito perfeito e grandioso. Sobre Scarlett Johansson interpretar um personagem que teoricamente seria japonês isso não me incomodou em nada. Afinal se o corpo é de ciborgue pode ter qualquer feição sem que isso interfira na história. Se esse foi um problema no filme certamente é o menor deles.

Apesar de o visual ser muito bem feito algumas vezes ocorre um excesso de slow motion e o 3D é desnecessário. Faltou coragem também para mostrar um pouco mais de violência. E já que no filme optou-se por não abordar questões existencialistas poderiam ter aumentado um pouco a ação também.

Ghost in the ShellA direção de Rupert Sanders é feita meio que no automático, sem muitas cenas marcantes. Johansson está bem no papel de robô, com movimentos comedidos e expressão mínima. Seu modo de caminhar, meio esquisito e apressado, é bem inumano. Batou (Pilou Asbaek) está longe do carisma mostrado pelo personagem no filme original e passa sem muito destaque, assim como Aramaki (Takeshi Kitano), porém esse último tem uma cena muito boa.

O filme contém muitos fan-services. Algumas cenas chegam a ser idênticas ao longa de animação.
A trilha sonora original era muito marcante, principalmente o tema principal. Já aqui temos uma trilha que funciona, mas nada marcante e o tema original fica para os créditos finais.
O vilão do filme se mostrou fraco e sem muita presença. A conclusão foi sem graça e muito rápida.

O produtor do filme é o Avi Arad, um dos responsáveis por popularizar os heróis da Marvel nos cinemas. Talvez seja por isso que  tenhamos agora uma versão sci-fi da Viúva Negra. Enfim, será que ele vai conseguir emplacar essa adaptação e iniciar uma franquia de sucesso? Até agora todas as tentativas de adaptação de anime/mangá fracassaram em bilheteria e crítica. A Vigilante do Amanhã (por enquanto) é a que melhor se saiu.

Mesmo com defeitos o filme funciona muito bem para os que não conhecem a obra original e, talvez, até para quem aprecia o filme de 1995. Já os fãs hardcore provavelmente não vão gostar. De qualquer forma vale a pena o ingresso, sobretudo para se maravilhar com o visual e as cenas de ação.

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2 comentários sobre “A Vigilante do Amanhã – adaptação de Ghost in the Shell acerta no visual

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