Castelo de Areia

Castelo de Areia traz visão realista da guerra do Iraque

Castelo de Areia (Sand Castle), filme do diretor brasileiro Fernando Coimbra, é um filme de guerra que não traz uma visão política. A história é centrada na experiência do soldado Matt Ocre (Nicholas Holt) durante a guerra no Iraque. Não há propaganda pró ocupação americana, assim como não há crítica. Não há vilões, nem heróis ou heroísmo clichê. Não há sequer um senso de vitória ou conquista. O filme todo é tenso, a sensação de que algo ruim está prestes a acontecer está sempre presente. Ao assistir essa estreia da Netflix eu (que não sou fã de filmes de guerra) não esperava por uma abordagem tão realista. Fiquei positivamente surpresa ao constatar que o personagem principal não é nenhum herói, nem se torna um durante sua jornada. Ele começa e termina como um rapaz comum, que nunca quis ir para a guerra e que, apesar de ter um bom coração, não se acha o salvador do mundo e nem tenta ser.

Matt Ocre é um jovem sem muitas perspectivas na vida que se alista no exército em 2001, dois meses antes dos atentados de 11/09. Ele faz o que pode para evitar participar efetivamente da guerra, mas falha e acaba se vendo em meio a uma perigosa missão no vilarejo desconhecido chamado Baqubah. Seu pelotão precisa restabelecer a distribuição de água na região (danificada numa ação do exército americano) e não pode contar com a ajuda dos locais, que temem represália dos grupos armados iraquianos que lutam contra a ocupação americana. Apesar do pelotão encarregado da missão ter vários tipos bem estereotipados, temos uma boa construção do soldado Ocre e do Sargento Harper (Logan Marshall-Green). Henry Cavill faz o Capitão Syverson e eu demorei algumas cenas para reconhecê-lo e o filme todo para estabelecer alguma conexão com ele (na verdade o filme acabou e não consegui).

Depois de tantos filmes de guerra que não só fazem propaganda de um pais e suas agendas mas que, ainda por cima, trazem uma visão poética da guerra, Castelo de Areia é um filme que mostra que, para quem está na guerra, de arma na mão, não há bravura sem medo, não há lado certo e lado errado, não há romantismo. O que existe é violência, medo, pessoas se arriscando às vezes sem saber bem o motivo, pessoas inocentes perdidas no fogo cruzado e um desejo de alguns de dar um sentido para tudo isso. O final mostra o vazio que deve restar no peito de muitos soldados que conseguem ter a sorte de voltar para casa. Recomendo.

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