A Autópsia é a estreia dessa semana para os fãs do gênero terror

Uma dos grandes desafios para se fazer um bom filme de terror é o roteiro, que precisa contar uma boa história. Outro é dosar as cenas gore que, apesar de fazerem parte do gênero, precisam de um contexto para que o filme não caia na galhofa. A respeito do primeiro desafio podemos dizer que o filme  A Autópsia (The Autopsy of Jane Doe, 2016), do diretor norueguês André Ovredal, segue a regra do “menos é mais”.

A história se desenvolve como num conto de terror, mostrando apenas uma noite de trabalho no necrotério de uma pequena cidade. Uma noite comum para os homens da família Tilden, acostumados a lidar com a morte. De modo bastante aleatório eles acabam entrando em contato com a entidade maligna do filme, no caso o corpo de uma mulher desconhecida, que é levado até eles pelo chefe de polícia local após ser encontrado semi enterrado numa cena brutal de crime. Não há um elo entre o corpo e os personagens principais, não há qualquer background de nenhum deles, não sabemos ao certo que tipo de pessoas são e nem se estabelece uma ligação entre eles e o público para que alguém se preocupe com o destino que os aguarda.

O filme se sustenta em cima do clima construído dentro daquele lugar lúgubre e claustrofóbico com a tensão apenas pincelada na relação entre pai e filho, o mistério (meio fraco) em torno do cadáver da moça desconhecida e o “momento Stephen King” em que os personagens se vêem isolados por um evento climático dentro do ambiente hostil, impossibilitados de escapar do mal que os persegue. Acrescente-se o fato de que o ambiente consiste num necrotério, com outros cadáveres e pedaços de corpos naturalmente compondo a paisagem e assim temos um baita climão, perfeito para provocar sustos e muita tensão.

Sobre o segundo desafio citado, o fato de estarem num necrotério dá o espaço adequado para as cenas de gore que, diferente do que estamos acostumados, não causam angústia nos protagonistas. Afinal são eles que serram ossos, abrem crânios e manipulam órgãos, com profissionalismo e naturalidade.  Mas o público pode não ficar imune e talvez precise de estômago forte em alguns momentos.

Emile Hirsch ( Na Natureza Selvagem) como Austin Tilden e Brian Cox (o Coronel William Striker de X Men) como o médico legista Tommy Tilden estão muito bem, apesar do pouco desenvolvimento de seus personagens. O cadáver é interpretado por Olwen Kelly, que apenas fica deitada e nua durante o filme. Nem mesmo sabemos se seu personagem é de fato a vilã da história. É muito mais do que provável que em breve lancem uma prequência mostrando a vida dessa garota.

O final de um filme de terror  muitas vezes é problemático. Com exceção de grandes clássicos, é comum que a história vá ficando desinteressante à medida que o mistério se resolve e a conclusão se aproxima. O terceiro ato de A Autópsia sofre com uma quebra no clima e não corresponde a expectativa cultivada até ali.

A Autópsia não é um filme ruim mas é esquecível e uma sequência seria um risco de se fazer apenas mais do mesmo. Por outro lado, se fizerem um filme ambientado na Nova Inglaterra do século 17 sobre a vida dessa garota, pode ser que A Autópsia passe a ter alguma razão de ser.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s