Margarita com Canudinho: um retrato delicado da luta pelo direito de ser diferente

Buscando algo para assistir me deparo com o título Margarita com Canudinho (Margarita With a Straw, 2014) e fico cheia de curiosidade sobre a história desse filme.

A trama se passa na Índia e nos Estados Unidos e conta a história de Laila (Kalki Koechlin), uma jovem estudante indiana que, após uma decepção amorosa, resolve ir estudar fora do país. Seria um enredo bem batido não fosse por um simples detalhe: Laila tem paralisia cerebral e por causa disso usa cadeira de rodas. A roteirista e diretora Shonali Bose fez esse filme inspirada na prima, Malini Chib, uma importante ativista pelos direitos de pessoas portadoras de deficiência na Índia.

Margarita com CanudinhoLaila é inteligente, talentosa e bonita. Ela frequenta a universidade de Delhi e lá se apaixona por um colega, mas o rapaz deixa claro que só a vê como amiga. Com o coração partido Laila busca novos ares e parte para Nova York junto com a mãe para estudar ao longo do semestre. Assim inicia-se uma jornada onde ela vai adquirir mais autonomia, autoconfiança e autoestima, onde a descoberta da própria sexualidade é o ponto central do processo.

Na America Laila sente-se atraída por Jared (William Moseley, conhecido por As Crônicas de Narnia), um colega de classe que se voluntaria para ajudá-la com os trabalhos da faculdade. No mesmo período ela conhece uma jovem de origem paquistanesa e cega chamada Khanum (Sayani Gupta), por quem se apaixona e é correspondida. Khanum é ativista, independente e assumidamente lésbica. Sua personalidade causa grande impressão em Laila e ambas iniciam um relacionamento.

O filme trata a questão da deficiência de modo leve, mas com honestidade. O romance entre Laila e Khanum também é retratado de modo delicado. Algumas escolhas do roteiro não me pareceram tão boas, como Laila conhecer Khanum numa passeata repleta de manifestantes. Me pareceu muita coincidência que, entre centenas de pessoas, elas se encontrassem daquele jeito. Entretanto as atuações se sobrepõe aqui, com destaque honroso para Kalki Koechlin, que faz um trabalho arrasador como a protagonista. A fotografia e a trilha sonora também são belas e ajudam a compor o clima ameno e agradável, sem nunca forçar o drama num tema por si mesmo difícil.

Apesar de pegar leve na temática, Margarita com Canudinho consegue trazer muitas mensagens relevantes e a maior delas é que o amor que importa alcançar, antes de qualquer outro, é o amor próprio.

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