War Machine – Faltou humor na sátira estrelada por Brad Pitt

War Machine é um filme de guerra satírico baseado no livro The Operators, do jornalista Michael Hastings. Brad Pitt interpreta o general Glen McMahon (personagem baseado no general americano Stanley McChrystal) que em 2009 é designado pelo governo dos EUA para liderar a ocupação americana no Iraque.

Glen McMahon, conhecido também como The Glenimal, transpira estereótipos. Leva uma rotina espartana (corre dez quilômetros por dia, dorme quatro horas por noite e faz apenas uma refeição diária ), é carismático, autoconfiante ao extremo, querido por seus subordinados, uma pedra no sapato de seus superiores. Acredita piamente na missão dos Estados Unidos da América de levar a liberdade aos quatro cantos do planeta. Mas a guerra do Iraque está com a popularidade em baixa e não parece estar levando a lugar algum, de modo que ele é convocado para liderar as forças americanas já em retirada do território iraquiano. Acontece que ele é o Glenimal e (em sua própria opinião), se existe alguém  que pode comandar a vitória americana sobre o terrorismo, esse alguém é ele mesmo. O general entra numa missão com o objetivo de conseguir o apoio da população local e a adesão de tropas de outros países para, assim, liderar um ataque vitorioso sobre os inimigos. Sua jornada começa pelo presidente do Iraque, Karzai, interpretado por Ben Kingsley. A reação do presidente diante dos delírios idealistas de McMahon é hilária e deixa subentendido um certo bom senso, pois McMahon é megalomaníaco mas suas intenções são sinceras e ele realmente acredita que pode fazer algo de bom ali. Karzai não o contraria, diz a ele palavras de incentivo, embora mal possa conter uma explosão de risos diante do pretendente a salvador de seu povo. A mesma gentileza não vai encontrar nos representantes populares que apenas pedem a ele que deixe o país, juntamente com seus homens. Mesmo seus homens levantam incômodas questões sobre a contraditória atuação americana ali.

O filme, apesar de tratar de guerra, tem poucas cenas de ação e nelas não vemos Brad Pitt/McMahon. O personagem passa o filme armando estratégias, indo a jantares e reuniões, expondo o pensamento messiânico americano com argumentos cheios da marra que lhe é peculiar.

A crítica pode ser simplista mas não deixa de ser pertinente ao expor ao ridículo alguns pensamentos romantizados sobre a guerra que, supostamente, os EUA fazem em nome da paz mundial.

Infelizmente o humor é fraco e muito do que deveria ser engraçado é, no máximo, estranho. O pior é a performance de Brad Pitt. Um ator mais velho e com mais apelo para comédia poderia ter funcionado melhor. E o que houve com o queixo dele? Será que depois de interpretar o tenente Aldo de Bastardos Inglórios o rosto dele se deformou? Minha avó dizia que se fizéssemos careta e batesse um vento nossas caras poderiam não voltar ao normal. Será que foi isso que aconteceu?

Nesse show de caricaturas e canastrice há espaço para a competência e elegância de Tilda Swinton numa pequena mas arrasadora participação como representante política alemã. Outra ótima participação é a de Meg Tilly como a esposa de McMahon, a doce Jeannie. Quase chorei numa de suas cenas.

War Machine merece ser assistido e seu tema tem grande relevância. Pena que o humor não foi bom o suficiente para trazer uma maior reflexão. Mas, ainda assim, pela atualidade do tema e a necessidade de questionarmos as motivações por trás das máquinas de fazer guerra, fica a dica.

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