Mulher-Maravilha: os erros e acertos

Mulher Maravilha tem sido um sucesso de crítica e bilheteria ao redor do mundo e se tornou um marco entre os filmes derivados de histórias em quadrinhos. Um filme de super herói cativante e inspirador, repleto de mensagens positivas. Um conjunto de boas escolhas fizeram desse filme um sucesso, muito bem vindo dentro do atualmente abatido universo cinematográfico da DC. Ter na direção alguém comprometido com o personagem como Patty Jenkins, um ótimo elenco, uma trilha sonora marcante e um roteiro direto e que faz sentido são alguns dos principais ingredientes para essa fórmula de sucesso. Mas o filme não é a prova de balas como os braceletes de Diana Prince. Vejamos alguns pontos fortes e outros nem tanto do filme da heroína.

É  pra aplaudir de pé:

-O modo como Diana é retratada. 

Há alguns dias escrevi sobre minhas expectativas para o filme e uma das minhas esperanças era ver Diana retratada como uma heroína de coração, sem cinismo e obscuridade. A empatia e o entusiasmo mostrados por Diana em seu filme solo trouxeram ar fresco e um raio de Sol para o frio universo de heróis da DC no cinema. Ponto para o roteirista Allan Heinberg e para a diretora Patty Jenkins.

-A escalação de Gal Gadot, Robin Wright, Connie Nielsen, Lucy Davis e Chris Pine. O elenco faz toda a diferença num filme e o de Mulher Maravilha é um dos pontos altos da produção. Gal Gadot personifica bem a princesa de Themiscyra. Sua constituição física ágil junto com sua capacidade de transmitir com o olhar as nobres emoções de sua personagem a tornam uma escolha inspirada. Não tem um frame em que ela não esteja perfeita! Sua química com Chris Pine é tangível, o par funciona e tem bons momentos em tela. Robin Wright parece feita de aço e faz jus ao parentesco com sua sobrinha semideusa. Suas cenas de luta são convincentes, ela parece ainda mais feroz e ameaçadora que a própria Diana. É muito claro o comprometimento de Robin Wright com o papel. Connie Nielsen tem a imponência necessária para representar a rainha das amazonas e foi uma ótima escolha, melhor do que Nicole Kidman, atriz a quem o papel foi oferecido primeiro. Lucy Davis como Etta Candy é um deleite. Uma pena que a vimos pouco no filme.

-Coreografia de lutas com movimentos de capoeira.

A estética das cenas de luta mostradas em slow motion ficou mais fluida com os movimentos da capoeira. Aqui fizeram melhor uso dessa arte do que em Cat Woman, onde a sexualidade foi enfatizada na circularidade dos movimentos.

-A trilha sonora de Rupert Gregson-Williams.

Os usuais temas orquestrados marcantes foram aliados a outros com influência mais oriental, o que trouxe um pouco da exótica origem da heroína. A trilha faz muito bem seu papel de colocar o espectador na vibe de cada cena, com destaque para a ótima faixa Wonder Woman’s Wrath que traz o riff de cello elétrico do tema Is She With You? composto por Hans Zimmer para introduzir Diana no filme Batman vs. Superman.

-A luta final. 

Todos os filmes de heróis tem seu costumeiro final cheio de destruição, explosões, luzes, demolições e pancadaria. Nos filmes da DC esses finais já foram alvo de controvérsia, como em Homem de Aço, onde a luta final do herói foi tão violenta que é  provável que tenha ceifado inúmeras vidas de inocentes, segundo especulou-se na época. Já em Wonder Woman o cenário para a luta foi mais apropriado e com praticamente nenhum civil por perto. Ares (David Thewlis) foi um excelente oponente e um bom vilão, com motivações compreensíveis. A sacada genial ficou por conta dos raios que Ares lançava sobre Diana e que, ao invés de ferir, energizavam seus braceletes. Na história Ares matou Zeus, seu pai e pai de Diana. Aqueles eram raios de Zeus, usurpados pelo deus da guerra que pensou poder usa-los contra sua meia-irmã. Não rolou.

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O que não foi tão bom:

-A vulnerabilidade de Themiscyra.

Themiscyra é como Avalon, um reino oculto dentro do mundo que conhecemos. Por um acaso um piloto cai com seu avião direto numa passagem para esse mundo escondido. Ok, era o destino, como Ëarendil conseguir chegar as terras imortais para conseguir ajuda em nome dos habitantes da terra (embora esse último tenha ido a procura e Trevor tenha achado por acaso). Mas, depois do miraculoso resgate do piloto espião, uma tropa de soldados alemães chegar as praias de Themiscyra me fez pensar que os deuses não fizeram lá um belo trabalho para esconder as meninas.

-Os aliados de Trevor.

Sameer (Saïd Taghmaoui) é um espião mestre dos disfarces, Charlie (Ewen Bremmer) um atirador traumatizado com a guerra e Chefe é um contrabandista. Esses três são os aliados escolhidos por Steve Trevor para ajuda-lo com sua missão de encontrar o laboratório secreto da Dra. Veneno. Creio ter entendido o objetivo de Steve: provar para Diana que ele é mesmo um homem acima da média, conforme garantiu à amazona no início do filme. Esses três acrescentam muito pouco ao filme, quase nada.

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-A morte de Steve.

E no fim não teve jeito: o mocinho salvou a garota. Tinha necessidade disso? Esse filme precisava ter um herói? Não podia ter só a heroína salvando o dia e beijando o rapaz no fim? Um tanto decepcionante.

-Toneladas de slow motion e outros movimentos artificiais.

Desde 300 que não via tanto slow motion. Não por acaso o filme sobre os espartanos foi dirigido por Zack Snyder, produtor de Mulher-Maravilha. Ok, Gal Gadot fica perfeita em câmera lenta também, mas um pouco menos seria melhor. Em outras cenas os movimentos mais pareciam saídos do Injustice, muito artificiais. Não precisava disso.

-Erro na conexão entre Mulher Maravilha e  Batman vs. Superman.

Uma coisa que me incomodou mesmo foi a falta de conexão entre a Diana do filme da Mulher-Maravilha e a Diana apresentada em Batman vs. Superman. No final do filme solo da heroína uma lição é apreendida por ela sobre os humanos terem seus defeitos mas também muitas qualidades, sobre o amor ser capaz de vencer o mal e trazer a paz bla bla bla etc. Discurso bonito que não sei onde foi parar anos depois, quando a mesma Diana diz a Bruce Wayne ter perdido a fé na humanidade. Onde ela esqueceu a lição aprendida? Onde ela negou sua missão enquanto amazona? Em que momento ela passou a reproduzir as palavras de Hipolita sobre a humanidade, palavras com as quais ela jamais havia concordado até então? Ficou um vácuo entre a heroína recém surgida, cheia de ideais e esperança que vimos no final do filme e a cética Diana que se encontra com Bruce. O pior: duvido que essa lacuna venha a ser preenchida em filmes futuros. Uma mínima atenção e algumas pequenas modificações poderiam facilmente ter resolvido o problema.

Mulher-Maravilha não é um filme perfeito, mas honra uma das mais carismáticas e poderosas heroínas dos quadrinhos.

Esses são apenas alguns pontos. E você? O que acha?

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