The Leftovers – Review da terceira temporada

The Leftovers nunca foi uma série popular, mesmo mostrando excelência em vários quesitos como roteiro, atuações, trilha sonora, direção de arte, entre outros. Mesmo com números de audiência baixos a HBO insistiu em não cancelar a série e resolveu dar a ela um final. E um final digno.

Muito se especulava sobre o fim da série. Um de seus criadores, Damon Lindelof, é também responsável pela famosa e controversa série Lost. Uma boa parte dos fãs ficou temerosa sobre o final e possíveis tentativas de explicar os mistérios da série. A grande maioria entendeu que não se tratava de explicar os mistérios e sim de mostrar as relações entre os personagens e o modo com que cada um pôde lidar com a perda, o luto e a impotência diante do inexplicável. Essa parte do público aprendeu que, às vezes, não importa a resolução de mistérios e sim a jornada que, nesse caso, durou três anos. A baixa expectativa sobre as explicações fez com que desfrutássemos melhor da série, com fé que tudo ia seguir mantendo o alto padrão já imposto. Não por acaso um dos temas da série é a fé.

Nessa temporada, que contou com apenas 8 episódios, alguns temas foram introduzidos como a imortalidade de Kevin. Matt até escreveu um evangelho sobre ele (Book of Kevin). Sim, Kevin tinha alguma coisa especial. Conforme foi evidenciado durante toda a série e enfatizado no final, ele conseguia ir para “uma outra realidade”. Mas Kevin não era o escolhido naquele mundo cheio de mistérios impenetráveis. O que, de fato, aconteceu com quem partiu? Eles estão melhor do que os que ficaram? O sétimo aniversário da Partida Repentina viria com o fim do mundo?

Em toda essa temporada foi explorada a religiosidade, como o homem-deus que usa boné e espalha folhetos, o leão reverenciado pelo sexo, Kevin como novo Messias, a construção de uma arca como a de Noé e todas as pessoas com fé acampadas em Miracle. Natural em um mundo em que 2% da população sumiu sem deixar rastros.

The Leftovers Final Nora foi um personagem esplêndido, com traumas mas muita coragem, que seguiu em frente após ter perdido toda a família. É com ela, no episódio “The Book of Nora”, que a série se finda, celebrando a vida, sem dar explicações que, a meu ver, talvez pudessem estragar o final. Muitas pontas ficaram soltas mas isso não tem problema. Tudo ali era místico e metafórico e assim deve permanecer. O mais perto de uma explicação que chegamos ficou por conta de uma fala de Nora, que no final apenas pergunta: “Você acredita em mim?”. Parece até que ela está perguntando para nós e, mais uma vez, nossa fé é graciosamente testada.

Leftovers foi isso, uma jornada muito bem executada, autoral, sem medo de criticas e que conseguiu agradar os fãs em um final difícil de se fazer. Uma série que daqui alguns anos poderá ganhar o status de “cult”. Muito bem Damon Lindelof e Tom Perrota. Que venham mais obras primas.

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