Mulher-Maravilha de Patty Jenkins põe em foco as mulheres por trás das câmeras na indústria do cinema

Que Mulher-Maravilha é um sucesso estrondoso tanto de bilheteria quanto de crítica todo mundo sabe, inclusive desbancando A Múmia, filme estrelado por Tom Cruise, em sua semana de estreia. O filme da super heroína dirigido por Patty Jenkins e estrelado por Gal Galdot tem quebrado recordes, mas sua importância vai muito além da esfera comercial ao direcionar os holofotes para a questão da valorização da mulher no cinema. Segundo o Centro de Estudos Femininos em Televisão e Cinema da Universidade de San Diego apenas 7% de 250 filmes lançados nos EUA tem uma mulher na direção (em 2015 eram 9%). Esse número incrivelmente baixo dá uma ideia do cenário profissional para as mulheres nessa indústria. Mas qual a causa de tal fenômeno? Será que as mulheres não tem se interessado em estudar cinema? Segundo a American Civil Liberties Union (ACLU) essa desigualdade não pode ser explicada pela falta de profissionais qualificados do sexo feminino no mercado, já que as mulheres compõe praticamente 50% do total de estudantes de cinema nos Estados Unidos. Se trata de uma sistemática desvalorização profissional da mulher nesse mundo dominado por homens. A importância de uma maior participação feminina por trás das câmeras não tem a ver apenas com igualdade de gênero e o tão falado empoderamento feminino. Estamos falando também da importância social e antropológica de uma maior diversidade de pontos de vista apresentada através da sétima arte, além daquela proveniente do olhar do homem branco, os conhecidos membros do clube do bolinha que dominam Hollywood.

img2Talvez alguns queiram explicar essa discrepância afirmando que mulheres só fazem filmes sobre mulheres e para mulheres, por isso acabam tendo uma fatia menor no mercado. Desde que fazer filmes sobre mulheres seja um ato de inegável importância, dizer que as diretoras só conseguem fazer gêneros supostamente direcionados ao público feminino é uma mentira para encobrir o problema da desigualdade de oportunidades. Kathryn Bigelow, com seu oscarizado Guerra ao Terror (2009) e A Hora Mais Escura (2012), está aí para provar que uma diretora pode fazer todo tipo de filme. Caçadores de Emoção, filme de ação sucesso dos anos 90 estrelado por Patrick Swayze e Keanu Reeves, também consta em sua filmografia. E que tal o terror psicológico Babadook, lançado em 2014? Aclamado pela critica, o filme traz a australiana Jennifer Kent na direção. Um dos melhores filmes de comédia das últimas décadas também tem uma mulher na direção: O Mundo de Wayne, escrito e estrelado pelo comediante Mike Meyers, foi dirigido por Penélope  Spheeris. Psicopata Americano, filme que projetou a carreira de Christian Bale, tem na direção a canadense Mary Harron. No gênero drama temos o belíssimo O Piano de Jane Campion, que se tornou a primeira mulher a receber a Palma de Ouro em Cannes (a segunda foi Sophia Coppola pelo ainda inédito The Beguiled). A própria Patty Jenkins já provou sua capacidade ao dirigir o elogiadíssimo Monster (2003),  drama que traz a premiada performance de Chalize Theron no papel da serial killer Aileen Wuornos. E falando em Patty Jenkins, só para constar: Mulher-Maravilha é apenas o segundo filme com orçamento a bater os 100 milhões de dólares a contar com uma mulher na direção. Acho que isso também diz alguma coisa.

Está na hora de a indústria do cinema mudar suas políticas. Mesmo o cinema independente tem muito trabalho a fazer nesse sentido e está longe de apresentar um cenário de igualdade de oportunidades para homens e mulheres. A arte de fazer filmes só tem a ganhar e se enriquecer com essa necessária mudança.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s