American Gods – Review da primeira temporada

A primeira temporada de American Gods terminou nesse último domingo com o episódio Come To Jesus. A adaptação do romance homônimo de Neil Gaiman trouxe para a TV o universo fantástico do panteão de deuses que habita os EUA desde que o primeiro ser humano ali chegou, com foco em Wednesday, interpretado pelo carismático Ian McShane, e sua busca por aliados entre os antigos deuses para formar um exército com o qual pretende iniciar uma guerra contra os novos deuses. Para essa missão ele conta com a ajuda de Shadow Moon, um ex-presidiário que entrou nessa aventura aparentemente de gaiato.

American Gods primeira temporada review

O Shadow do livro já é meio mal desenvolvido. Um cara com pouco carisma, meio estúpido, algo que não passa despercebido dos outros personagens que não raro o classificam como burro. Na série não é diferente. A adaptação não melhorou em nada nosso protagonista, nem o ator Ricky Whittle o deixou mais interessante. Do primeiro até o oitavo episódio o cara não cansa de perguntar o verdadeiro nome do velho golpista que o contratou e Wednesday não se cansa de responder que “se dissesse ele não acreditaria”. Shadow vê nevar no verão, uma mulher morta voltar a vida, Lucille Ball lhe dirigir a palavra através da TV e até o próprio Jesus Cristo em carne e osso e não consegue sacar nada! Difícil lidar.

Já Wednesday tem sido um personagem carismático desde o início, apesar de alguns discursos forçados.

A adaptação deu mais espaço a alguns personagens do que eles originalmente têm no livro. Laura (Emily Browning) e Mad Sweeney (Pablo Schreiber) formam uma parceria com boa química que enriquece a história. O episódio que apresenta Essie McGowan (A Prayer for Mad Sweeney), uma imigrante que veio viver na América e trouxe com ela de sua Irlanda natal a antiga fé em fadas, duendes e leprechauns, é um dos melhores até o momento e o modo como ligam essa história a de Laura Moon e Mad Sweeney foi bem inteligente.

Já o aumento da participação da deusa Mídia (Gillian Anderson) é de gosto duvidoso. Ao menos os figurinos da personagem fazem valer sua aparição em tela (no último episódio ela estava caracterizada como a personagem de Judy Garland no filme Desfile de Páscoa).

Falando em Páscoa é no último episódio que a “guerra fria” entre novos e velhos deuses se transforma em guerra declarada, quando Easter, a deusa da Primavera e da ressurreição (que atualmente só sobrevive devido a sua parceria com a Páscoa de Jesus Cristo, que ajuda a manter seu culto parcialmente vivo) decide entrar na guerra também. A atriz Kristen Chenoweth faz um excelente debut e certamente será um personagem de destaque na próxima temporada.

A deusa africana Bilquis (Yetide Badaki), ao que parece, terá um arco diferente na série em relação ao livro. Provavelmente vai desempenhar um papel estratégico na guerra que começará a se desenrolar em breve.

Estava esperando ver bem mais o sanguinário Czernobog (Peter Stormare), senti falta. Mr. World ainda é um vilão confuso, mas o ator Crispin Glover parece ter sido uma boa escolha para o papel.

O estilo de Bryan Füller já era conhecido e amado pelos fãs da série Hannibal, mas em American Gods parece mais um exercício de técnica, às vezes sem conteúdo. Da mesma forma as muitas cenas de nu e sexo nem sempre são necessárias para a narrativa. Menos é mais.

Há, além de algum excesso visual, também um excesso de falatório. Diálogos bobos e frases que pretendem soar sábias preenchem demais o tempo, deixando a ação muitas vezes emperrada e  comprometendo o ritmo. Mas há ricos momentos que fazem American Gods valer a pena.

É indiscutível o apelo do tema e recomendo a leitura de O Herói de Mil Faces (Joseph Campbell) para quem quer compreende-lo ainda melhor. A abordagem atual também é um grande trunfo dessa Saga, ao mesmo tempo épica e moderna.

Com alguns ajustes e um aumento considerável da ação (sem slow motion de preferência) a segunda temporada tem tudo para arrasar.

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