GLOW – Review da primeira temporada

Quando soube que a Netflix estava produzindo uma série sobre o programa de wrestling feminino Gorgeous Ladies of Wrestling, ou apenas GLOW, fiquei realmente animada. O programa, que foi exibido nos EUA em meados dos anos 80, foi transmitido aqui no Brasil no início dos anos 90 pelo SBT com o título Luta Livre de Mulheres. Minha irmã e eu, apenas duas pequenas padawans na época, esperávamos ansiosas o sábado a noite para ver Susie Susie, Debbie Debbie, As Irmãs do Sul, Grande Fuji, Pequena Fuji, Tonica, Turner, a Espanhola e Americana no ringue. Depois do episódio, obviamente, começávamos nosso próprio torneio, que incluía acrobacias bem elaboradas e sobrava até para nossos irmãos mais novos. Bons tempos.

Liz Flahine e Carly Mensch procuravam um tema para um programa protagonizado por mulheres e encontraram ao assistir o documentário de 2012 chamado Glow: The Story of the Gorgeous Ladies of Wrestling. Apesar de nenhuma delas ter tido até então qualquer contato com o wrestling feminino, o modo como trabalharam a ideia foi genial, explorando a riqueza que essa temática poderia oferecer, mostrando as várias facetas da mulher saída da revolução sexual dos anos 70 e suas dificuldades em se posicionar diante de suas próprias conquistas na década seguinte.

GLOW crítica O cast é excelente, encabeçado pelo trio composto por Alisson Brie, que interpreta a aspirante a atriz Ruth Wilder, Betty Gilpin como Debbie Eagan, amiga de longa data de Ruth e atriz cuja carreira medíocre se encontra em declínio e Marc Maron como o diretor decadente Sam Sylvia.

Glow mostra um grupo de mulheres com pouco ou nada em comum, cujas vidas se cruzam ao trabalhar nesse projeto sem precedentes e imprevisível. A relação não é fácil, cada uma tem seus obstáculos particulares para vencer e existe muita rivalidade e animosidade à princípio. Mas é legal ver como a solidariedade acaba sempre despontando e amenizando os conflitos.

O limite entre a exploração e o empoderamento é difícil de definir. Sam, o diretor, as manda usar colants e deixa claro que a imagem delas será explorada para ganhar audiência para o programa. Em suas próprias palavras, o programa seria um “pornô que você pode ver com seus filhos”. Cada uma delas passa a representar um estereótipo que hoje em dia não tem mais lugar na TV ou cinema. A moça de origem indiana é caracterizada como a terrorista árabe, Ruth fica com o papel da vilã comunista soviética, a inglesa é a sexy “cdf”, e por aí vai. Todas com muita pele a mostra, maquiagens e roupas de cores fortes, além dos penteados discutíveis, como manda o figurino dos extravagantes anos 80.

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A produção da série e a trilha sonora, recheada com Roxette, Tears for Fears e Scorpions, dão o clima certo daquela época, só achei a maquiagem e os figurinos meio soft, esperava muito mais púrpura e amarelo nas roupas, rosa shock nas bocas, sombras azuis nos olhos e blushs marcados.

Enfim, Glow é sobre mulheres lidando com seus dramas particulares, lutando pelo direito sobre o próprio corpo, dando seu melhor pra alcançar reconhecimento e sucesso, perdidas ainda entre a aquisição da própria liberdade e autonomia e a necessidade de reconhecimento por parte do homem na figura do pai, dos irmãos, do companheiro ou do diretor. Através da arte do wrestling elas encontram uma família e poderão encarar esses conflitos e inseguranças juntas.

Glow é um programa fácil de assistir, divertido e bem feito. A segunda temporada promete ser ainda melhor. Recomendadíssimo.

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