Valerian, filme de Luc Besson tem excesso de efeito e carência de conteúdo

Valerian e a Cidade dos Mil Planetas é um filme francês do gênero space opera dirigido por Luc Besson e baseado no quadrinho belga dos anos 60 Valérian et Laureline, de Pierre Christine e Jean-Claude Mézières.

Besson, como fã do quadrinho, sonhava adaptar a obra para o cinema desde a juventude, isso muito antes de O Quinto Elemento. Esperou ter os recursos para reproduzir o mundo futurístico criado pela dupla francesa e assim poder contar a história do agente espaço-temporal Valerian e sua parceira Laureline. O nível da nerdice aqui é hard, esse quadrinho veio muito antes de Star Wars e Star Trek, sendo um precursor do gênero. Mas boas intenções nem sempre trazem os resultados esperados e, infelizmente, o ambicioso projeto pecou ao ostentar técnica sem investir num bom roteiro.

O início do filme é  muito promissor. O prólogo mostra a evolução da civilização, desde as primeiras missões espaciais na Terra até a fundação da cidade espacial Alpha, também conhecida como a Cidade dos Mil Planetas, onde milhares de espécies oriundas de vários pontos da galáxia coexistem compartilhando conhecimento e cultura. O conceito visual das criaturas alienígenas e dos ecossistemas existentes dentro de Alpha são de cair o queixo. A criatividade e os efeitos especiais dão um show e merecem o devido reconhecimento. Mas apenas esmero visual não garante a aceitação do público e creio que desde Avatar não se via tanto desperdício de recursos.

A historia é simples (ou seria simplória?): Valerian (Dane DeHaan) é um agente especial a serviço do Governo dos Territórios Humanos. É um rapaz que age de modo insolente e antiético, assediando o tempo todo sua parceira Laureline (Cara Delavigne) e fazendo pouco caso de seus superiores. Todos que se envolvem em suas missões acabam mal, mas o roteiro deixa claro que são todos descartáveis com exceção da dupla de protagonistas. Laureline faz o jogo Léia versus Han Solo e banca a durona, mas deixa claro que é  caidinha pelo agente. O carisma do casal é zero. Ao invés de parecerem Léia e Han eles estão mais para Padmé e Anakin. Em parte a culpa é do roteiro, cheio de situações sérias tratadas de modo frívolo, coroadas com diálogos pobres e cheios de clichês. Por outro lado a culpa é da má escolha dos atores. Não que tenham feito mal seus papéis, mas falta charme a DeHaan, que mais parece um rapazinho mal saído da adolescência e Cara, bem, ela faz sempre as mesmas caras. A raça elegante conhecida como os pérolas, cujo drama está no centro do roteiro, não traz nada novo para quem já viu os Na’vi de Avatar.

A história é uma versão do batido “erro militar encoberto pelo exército”. Não há reviravoltas, desde a primeira cena de Clive Owen você sabe que ele é o vilão, o “militar mal”. Rihanna faz um clipe no meio do filme e depois sai de cena de modo vergonhoso. A trilha sonora é do premiado compositor Alexandre Desplat (vencedor do Oscar pela trilha de O Grande Hotel Budapeste), que não me pareceu muito inspirado desta vez. A tentativa de humor ficou por conta de um trio de criaturas com aparência de pássaro que gostam de completar as frases uns dos outros.

Valerian e a Cidade dos Mil Planetas

Definitivamente não rolou.

Um filme deve contar uma história e inserir o espectador num mundo criado pela mente de um artista, fazendo-o experimentar emoções e, na melhor das hipóteses, refletir sobre seu próprio mundo. A única sensação real que tive ao assistir Valerian foi a de que duas horas podem se tornar seis.

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