Death Note (Netflix) – Review

Death Note, o mundialmente conhecido anime, ganhou mais uma adaptação live action (a quinta). Dessa vez o filme é totalmente ocidentalizado e segue os padrões das produções americanas. O mangá, escrito por Tsugumi Ohba e ilustrado Takeshi Obata, foi encerrado em 2006, ano em que o anime foi lançado. Desde de sua criação Death Note se mantém presente na cultura pop, sendo um dos animes/mangás mais lembrados por toda uma geração.

Por causa do culto em torno da obra a tarefa da Netflix e do diretor Adam Wingard não poderia ser simples, até por se tratar de um material muito difícil de adaptar, levando em consideração a complexidade dos temas abordados, tais como livre arbítrio, justiça e até religião, pra não falar no nível de inteligência de seus protagonistas em seu jogo de gato e rato. De um lado temos Light Yagami, um estudante excepcional e do outro temos L, o detetive mais inteligente do mundo. Na adaptação Light Turner (Nat Wolff) é apenas um aluno inteligente que vende respostas de provas para os amigos, nada mais. O personagem L (Keith Stanfield) se manteve um pouco mais fiel às características do original, sendo um ótimo investigador e mostrando algumas das manias que costumávamos ver no anime.

Apesar de ser inevitável a comparação devemos manter em mente que se trata de um outro formato. O anime contou com 37 episódios muito bem desenvolvidos, já o filme conta apenas com 101 minutos, tempo corrido demais e com transições rápidas, nada do belíssimo jogo de xadrez entre Light e L, que é a alma da obra original.

O filme erra no tom  também. Há cenas gore que beiram o cinema trash e a comédia, uma sensação reforçada pela reação muitas vezes inapropriada dos personagens. Em outros momentos parece um thriller de perseguição, digna de filmes de ação. Há também um foco imenso no relacionamento entre Light e Mia (Margaret Qualley) que praticamente parece o elemento principal do filme. A trilha sonora original remete à alguns temas do anime, mas quando varia para versões de músicas pop acaba por deixar o filme mais confuso ainda no tom.

Por vários momentos o próprio caderno e Ryuk são meros coadjuvantes na história. Aliás Ryuk (com voz de Willem Dafoe) se mantém nas sombras praticamente o tempo todo e, quando não o faz, fica perceptível a baixa qualidade do CGI. E aqui em nenhum momento ele parece ser amigo de Ligth, mas sim apenas um vilão.

Death Note Netflix As atuações estão boas, principalmente a de Keith Stanfield, que conseguiu transmitir algumas das peculiaridades de L. Nat Wolff em nada mostra a frieza de Light, mas se mantêm numa atuação OK com exceção de algumas cenas exageradas que me fizeram lembrar do Nicholas Cage. Uma coisa boa foi como os roteiristas acharam explicações razoáveis para adaptar alguns detalhes particulares da língua japonesa sem ofender os fãs.

Death Note continua sendo uma obra que não funciona nos cinemas. A tarefa de transportar a complexa trama para menos de duas horas é impossível. Fica a sensação que que falta alguma coisa, independente se você conhece a obra original ou não.

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