Narcos sem Escobar…deu certo?

Ao final da segunda temporada de Narcos muitos ficaram se perguntando se a série sobreviveria ou morreria junto com Pablo Escobar. O personagem, interpretado brilhantemente por Wagner Moura, era o coração da série produzida pela Netflix, de tal modo que parecia impossível imaginar uma continuação bem sucedida sem ele.

Entre perdas e ganhos o balanço foi favorável para os fãs da série, que puderam desfrutar de outra excelente incursão aos tempos violentos da inglória batalha contra o tráfico de drogas na Colômbia dos anos 80/90.

Pablo Escobar gostava da atenção popular e seu famoso Cartel de Medelin não prezava pela discrição. Amado por muitos, odiado por outros, respeitado e temido por todos, esse era Escobar. Sua morte deixou vazio o topo da cadeia alimentar dos grandes chefões, um vazio logo preenchido pelos chefes de outro cartel, o Cartel de Cali, cujas operações superavam em muito as do Cartel de Medelin, mas que agia sem chamar atenção.

As duas primeiras temporadas tiveram boa cota de dramas pessoais, romance, sexo, música e muita, muita violência. Escobar foi mostrado como pai, filho, amigo, chefe, marido, monstro, alguém ora frio, ora explosivo, carinhoso e vingativo. Tantas camadas garantiram ao vilão uma medida de simpatia por parte do público quase além do aceitável. Em menor escala também vimos os conflitos pessoais e familiares dos agentes do DEA, Murphy (Boyd Holbrook) e Peña (Pedro Pascal), durante sua caçada ao grande criminoso.

Agora a série se foca nos quatro líderes do Cartel de Cali: Gilberto Rodriguez, Miguel Rodriguez, Pacho Herrera e Chepe Santacruz. Cada um representa uma faceta comum a um grande chefão do crime: Gilberto é o líder carismático, o verdadeiro administrador dos negócios. Sua mente está voltada para garantir o lucro e também a segurança de sua organização. Miguel, seu irmão mais novo, porta-se mais como um Don Corleone, se guia por um certo código e mantém sua posição pela intimidação quando preciso. Chepe é um homem que escolheu esse estilo de vida mais pela ação do que pelo dinheiro, propriamente dito. Sua sequência num salão de cabeleireiro contra um grupo de traficantes dominicanos está entre minhas preferidas da temporada. Por fim temos Pacho Herrera, um homem perigoso e impiedoso, que mata todos que tentam lhe obstruir o caminho mas sem abrir mão de certo charme provocativo. Me parece o Escobar de Wagner Moura dividido em quatro partes!

Narcos sem EscobarDevo estar soando como uma viúva das primeiras temporadas, mas não se trata disso. As comparações são inevitáveis, mas a terceira temporada tem seu mérito próprio. Se perdemos um grande personagem e um pouco do charme sensual que permeava as primeiras temporadas, na terceira ganhamos mais ação e tensão, com cenas dignas de produções hollywoodianas do gênero policial. A história se foca menos em personagens e mais na investigação em si. Peña, mais uma vez interpretado pelo ótimo Pedro Pascal, agora está à frente da caçada. Seu personagem está mais tenso e sombrio do que nas outras temporadas, a fama por ter pego Escobar lhe pesa nos ombros. Sai de cena Murphy e entram os novos agentes do DEA Daniel (Matt Whelan) e Chris (Michael Stahl-David), trazendo novo vigor para a equipe de Peña.

Um personagem que aos poucos dominou o show foi Jorge Salcedo, um engenheiro que começou prestando serviços para o Cartel de Cali e, de repente, se viu chefe de segurança da organização. A típica pessoa “boa” que faz uma escolha errada e não consegue mais voltar ao caminho certo. Temendo pela segurança de sua família ele resolve ajudar o DEA e são suas cenas que farão suas mãos suarem frio!

As atuações estão ótimas. Sem Moura para ofuscar ninguém todos do núcleo principal brilham em determinado momento, o que é algo muito bom. Destaque para Pascal (Peña), Matias Varela (Jorge Salcedo), Francisco Denis (Miguel Rodriguez) e Alberto Ammann (Pacho).

A escolha de manter Escobar por apenas duas temporada e então levá-lo ao telhado onde seria morto se provou uma decisão corajosa e acertada. Graças a isso a série poderá perdurar por muito tempo, tanto tempo enquanto o tráfico de drogas existir. Que venha a próxima!

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