First They Killed My Father – Review

First They Killed My Father é o novo filme dirigido por Angeline Jolie. Além de dirigir o longa Jolie também assina o roteiro ao lado da autora cambojana Loung Ung, em cujas memórias o filme é baseado.

O filme conta a história de Loung, uma menina de cinco anos que vê seu pequeno mundo ser destruído quando o Khmer Vermelho toma o poder no Camboja em 1975 e evacua a cidade em que mora com sua família, a capital Phnon Penh, obrigando todos os habitantes (cerca de dois milhões de pessoas) a largarem suas casas e se dirigirem com o mínimo de pertences pessoais à áreas rurais onde são colocados para trabalhar em fazendas coletivas ou campos de trabalhos forçados.

Loung é a sexta criança dos sete filhos do casal Ung. Eles viviam confortavelmente e quase sem preocupações na capital, onde seu pai era um agente do governo. Com a invasão do Khmer Vermelho tudo muda e cada dia traz uma luta desesperada pela sobrevivência, captada pelo olhar da menina. Nesse detalhe reside o ponto-chave do filme, pois evita que ele caia na tentação de estabelecer pontos de vista e posições políticas. Através dos olhos de Loung vemos a situação pelo que ela causa em sua vida de modo simples e direto e não precisamos lidar com causa e efeito, motivações políticas e ideologias envolvidas. Ao mesmo tempo é brutal e belo pois Loung sofre, mas não se abate por muito tempo, não por ser heroica, mas por ser criança e apenas por isso.

A fotografia é muito bonita e, além das belas paisagens naturais, vemos o jogo de cores e luzes que diferenciam os momentos de maior tristeza e perigo, sempre escuros e sem vida, das memórias e sonhos da menina em cores vibrantes e muita luz. A câmera em quase todo o filme se ocupa apenas de mostrar a protagonista ou aquilo que ela enxerga. O que importa é o que ela vê e como ela se sente a respeito. É impossível não ter empatia por ela, que é uma verdadeira sobrevivente, ou pela mãe que faz a escolha mais difícil que uma mãe poderia fazer, pelo pai que tenta manter a família unida e em harmonia apesar das circunstâncias ou pelo irmão Kim que se arrisca a noite nas plantações para tentar trazer alguma coisa para sua família comer.

O filme tem apenas atores nativos e é falado quase que inteiramente em khmer, um feito espantoso por si só. Angeline Jolie tem uma história com o Camboja pois é o país de origem de seu filho mais velho, Maddox (creditado como um produtor executivo do filme). Sem usar de discursos e cenas ultra dramáticas e apelativas Jolie conseguiu algo grande ao mostrar de forma muito direta apenas o que a guerra representa para pessoas que são pegas no fogo cruzado, especialmente os indefesos. Pode não se tornar o maior clássico dos filmes de guerra mas é um ótimo filme e uma grande realização de Jolie como diretora, inclusive podendo abocanhar o Oscar de Filme Estrangeiro desse ano.

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