Almas Gêmeas é uma obra prima de Peter Jackson muito antes de O Senhor dos Anéis

Hoje quero indicar um filme lançado há quase vinte e três anos que foi escrito e dirigido por um cineasta que vai morar para sempre em meu coração: Peter Jackson.

O filme em questão é Almas Gêmeas (Heavenly Creatures, 1994), que conta a história de um famoso caso de assassinato ocorrido na Nova Zelândia nos anos 50 conhecido como caso Parker-Hulme.

Pauline Parker é uma adolescente que vive numa pacata cidade da Nova Zelândia, onde estuda num colégio só para garotas. Ela se sente deslocada e infeliz, tanto dentro do rígido ambiente escolar quanto em casa. Essa situação muda quando uma nova aluna chamada Juliet começa a frequentar sua turma. Juliet é inglesa, vem de uma família culta e rica, é bonita, expansiva, viajada, enfim, o extremo oposto de Pauline. Apesar de não terem quase nada em comum as duas desenvolvem uma amizade que aos poucos vai se tornando obsessiva.

O filme se concentra em mostrar o laço de amizade profundo e único que existiu entre as duas garotas entre os anos de 1953 e 1954. Não há qualquer intenção de vilanizar uma ou outra pessoa, nem mesmo de explicar ou justificar os atos cometidos pelas duas em nome do vínculo que as unia. Não há tampouco foco no crime ou no julgamento que se seguiu. Tudo o que Peter Jackson quis foi mostrar o fantástico universo de magia e delírio que se tornou esse relacionamento, refúgio perfeito para duas almas com dificuldade em se ajustar numa realidade rude e sem encantos.

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Kate Winslet e Melanie Lynskey fazem sua estreia no cinema e já entregam atuações maravilhosas interpretando Juliet e Pauline, respectivamente. Kate faz uma interpretação digna das antigas divas do cinema. Sua Juliet é desafiadora, vulnerável, excêntrica, tão maliciosa quanto inocente. Cai como uma luva  nesse filme que parece ter sido feito nos anos 50. Melanie faz uma Pauline passional e infantil, adorável e selvagem.

A trilha sonora é uma riqueza à parte. Mário Lanza e Puccini dão o tom desse mundo tão mágico. Os efeitos de CGI servem para construir esse universo de fantasia criado por elas: Borovnia. Lá elas vão para se isolar da realidade, saturada de coisas e pessoas ordinárias, de dor e de solidão. Ali elas podem ser o que quiserem e tudo funciona maravilhosamente. Compartilhando esse universo exclusivo as garotas se tornam inseparáveis.

Aos poucos seus pais e educadores começam a achar aquela amizade doentia e tentam aconselhá-las a se distanciarem um pouco, mas esses conselhos só trazem ira e frustração. Até que, por fim, os pais de Juliet decidem enviá-la para a Africa do Sul. Na iminência de terem que se separar elas se desesperam e Pauline tem um plano: ambas precisam eliminar sua mãe, que ela julga ser o grande obstáculo em suas vidas.

Pauline é viciada na luz de Juliet. Juliet, por sua vez, é viciada na idolatria de Pauline. Nenhuma delas quer abrir mão de seu objeto de felicidade. Essa é uma história real entre tantas outras onde as coisas começam belas e inocentes e terminam extremamente mal.

Fica a dica. Esse é um dos melhores filmes que já vi e que você, que ainda não viu, precisa apreciar.

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