Mr. Mercedes – Review da primeira temporada

Mr. Mercedes, série baseada no romance homônimo de Stephen King, encerra sua primeira temporada mostrando uma ótima história onde o terror não é nada além daquele que o próprio homem pode criar.

Já no começo da série é possível notar que estamos diante de um trabalho de grande qualidade. O tema, apesar de batido ( ex-tira alcoólatra segue perseguindo o frio autor de um crime ainda não solucionado), é instigante, mesmo sem utilizar uma ferramenta que cairia muito bem numa série de investigação: o mistério. Cedo demais descobrimos quem é o monstro na história. Mas, ao não se focar no mistério, a série se concentra em criar o ambiente e construir personagens e isso ela faz muito bem.

Em 2009, uma pessoa mascarada dirigindo um Mercedes invade um espaço repleto de pessoas que aguardavam para fazer entrevista de emprego. O que se segue é pura carnificina: dezenas de pessoas morrem esmagadas e outras tantas saem feridas. A cena é ainda mais impactante pois os roteiristas fizeram questão de, primeiro, mostrar cada um desses personagens, fazendo com que a audiência se importasse com eles, de modo que o estresse pós traumático sofrido pelo investigador responsável pelo caso, Bill Hodges, ganha a empatia do espectador. O homem se aposenta deixando esse último caso sem solução, tornando-se um velho neurótico e amante de uma boa garrafa de whisky.

Mr. Mercedes

Todos os personagens são bem construídos e você pode não gostar de alguns deles, mas não pode negar que em cada um é possível ver algo de humano e frágil, mesmo em Brady Hartsfield, o psicopata cheio de nuances interpretado brilhantemente por Harry Treadaway (Penny Dreadful). Bill Hodges é interpretado pelo magnífico Brendan Gleeson, que pôde dar vida ao velho policial Hodges usando seu próprio sotaque irlandês. O elenco conta ainda com Mary-Louise Parker como Janey, Kelly Lynch como Deborah Hartsfield, Jharrel Jerome como o garoto pródigo Jerome Robinson, Holland Taylor como a vizinha intrometida mas de bom coração Ida, Justine Lupe como Holly e a ótima Breeda Wool como a colega de Brady, Lou Linklatter.

É uma história de crime e investigação, onde Brady e Hodges fazem um jogo de gato e rato e estão dispostos a ir até as últimas consequências para vencer. Mas há um subtexto, uma crítica a sociedade que tenta vencer tempos de crise, onde quem tem qualquer tipo de autoridade ou goza de melhores condições trata logo de tirar vantagem de quem tem pouco e luta para sobreviver. A mesquinhez, a frieza, o egoísmo e a solidão fertilizam o solo onde brotam ódio e desprezo, que podem originar monstros com rostos inocentes, cujas estranhezas e os olhares maliciosos passam desapercebidos por quem passa por eles sem sequer olhar, cegados por seu orgulho e sentimento de superioridade.

Mr. Mercedes é uma ótima série e podemos tranquilamente inclui-la no rol das melhores produções baseadas em Stephen King. Fica nossa dica.

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