Stranger Things – Review da segunda temporada

Após o sucesso da primeira temporada de Stranger Things, uma ansiedade generalizada tomou conta dos fãs. Para todos foi muito difícil deixar Hawkins, após acompanhar as jornadas de Mike, Eleven, Dustin, Lucas e Will. Muito também se especulou sobre o futuro da série e alguns duvidaram que fosse possível dar continuidade a trama e atingir o mesmo nível de sucesso que a primeira temporada obteve.

O desafio diante dos criadores da série, os irmãos Matt e Ross Duffer, não era dos mais simples, mas eles não se intimidaram e mostraram que a história poderia se desenvolver e ficar mais sólida. A segunda temporada de Stranger Things perdeu a emoção da descoberta, mas ganhou corpo e se expandiu, ao mesmo tempo que aprofundou-se na construção de alguns personagens. Não foi à prova de ressalvas, mas valeu, e muito, continuar assistindo as aventuras desse grupo entre demodogs, fliperamas e laquês da Farrah Fawcett.

Do lado positivo temos a mesma reconstrução de época, novamente embalada por uma trilha sonora nostálgica deliciosa. Alguns elementos mudaram, mostrando a evolução dos interesses do grupo, agora menos infantil. As interpretações dos atores mirins está mais refinada, com destaque para Millie Bobby Brown (Eleven), Noah Schnapp (Will) e Gaiten Matarazzo (Dustin). Winona continua ótima em sua interpretação da mãe neurótica Joyce e David Harbour nos cativa um pouco mais na pele do chefe de polícia durão, mas de coração de ouro, Jim Hopper. Natalia Dyer volta como Nancy, mas agora sua postura é decidida e valente, colocando-a como a mais nova heroína da série. Por fim quero fazer menção a Brett Gelman, que está super engraçado como o jornalista e teórico conspiracionista Murray Bauman.

O grupo se dividiu nesta temporada e isso trouxe efeitos contraditórios. Por um lado essa nova dinâmica formou parcerias incríveis, por outro deixou alguns fãs insatisfeitos com a longa espera até a reunião do grupo. Steve e Dustin desenvolveram uma relação quase de irmãos, com uma cena muito boa entre eles andando sobre trilhos em referência à Conta Comigo. Murray Bauman, Jonathan e Nancy formam outro time cheio de química e Hopper e Eleven fizeram juntos algumas das melhores cenas dessa temporada.

img2 A história teve uma continuidade e os elementos se solidificaram em torno de uma mitologia própria baseada em Stephen King, Steven Spielberg e H.P Lovecraft. A ameaça é maior e traz um medo indizível, congelante, como o próprio personagem Will chegou a descrever. Aliás Will está sofrendo muito, para variar. Algumas cenas suas são de cortar o coração. Noah Schnapp, que pouco participou da primeira temporada, agora está realmente presente e mostra toda sua qualidade de ator, apesar da pouca experiência.

A inclusão de novos personagens não poderia ter sido mais feliz. Max (Sadie Sink) completa o grupo de garotas badass da série. Só lamento pela construção superficial que essa personagem teve. De qualquer forma é um personagem fácil de gostar e bem energético. Paul Reiser interpreta o novo médico encarregado do laboratório onde tudo começou. Com intenções não muito claras ele passeia entre o lado dos mocinhos e o dos vilões. Apesar disso é impossível não simpatizar com ele. Por fim a melhor aquisição do cast para esse ano: Sean Astin! Ele interpreta Bob, o namorado de Joyce. Corajoso e valente, ele é capaz de tudo para ajudar seus companheiros. Me lembra um certo hobbit, o mais amado do Condado: Sam Gamgi!

Por outro lado tivemos alguns pontos negativos. O mais gritante deles tem relação com o ritmo. A série é morna e parada nos primeiros episódios, só engrenando do meio para o final. Dois personagens entraram na série e não causaram o impacto esperado. Um deles é Kali/Eight, interpretada competentemente pela atriz Linna Berthelsen. Apesar da qualidade do trabalho da atriz, a personagem fica meio perdida após um episódio praticamente só dela e de Eleven. Foi um episódio com cara de filler, embora tenha trazido algumas informações pertinentes.
Já Billy (Dacre Montgomery), o filho do padrasto de Max, entrou para dar à série um vilão humano. O rapaz é uma mistura de Ace Merrill de Conta Comigo, David de Os Garotos Perdidos (ambos interpretados por Kiefer Sutherland) e Martin Riggs de Máquina Mortífera (interpretado por Mel Gibson). Infelizmente não acertaram o ponto do personagem. Sua construção é mal feita e a interpretação de Montgomery acaba se tornando histriônica. No fim sua importância na trama é praticamente irrelevante. Espero que na próxima temporada haja um tempo dedicado tanto a Kali quanto a Billy, para que possamos conhecê-los melhor.

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Outro ponto chato é o romance adolescente entre Mike e Eleven. Poderiam abordar esse sentimento mútuo deles de forma mais leve e inocente. Não vejo a forma como esse romance se desenvolveu ajudando a série no futuro. Esperemos para conferir. Também senti falta de Mike liderando o time. O rapaz ficou apagado a temporada toda. Finn Wolfhard é um jovem ator em ascensão, tomara que o utilizem melhor na próxima temporada.

Enfim, Stranger Things teve mais uma temporada incrível, agora é esperar pelo terceiro ano onde o Devorador de Mentes vai, de fato, causar em Hawkins. Seria ótimo ver as onze crianças especiais se unirem para enfrentar esse perigo. Seria um pouco X Men, não é mesmo?

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