O Cemitério: nova adaptação pode acertar erros cometidos em 1989

Mais um remake de Stephen King está a caminho. O clássico do terror O Cemitério Maldito terá uma nova adaptação para o cinema. E agora? Será que vão seguir a trilha do enorme sucesso da readaptação de It, dirigida por Andy Muschietti?

A primeira adaptação, que estreou nos cinemas em 1989, fez sucesso a ponto de permitir a produção de uma sequência, O Cemitério Maldito 2, estrelado por Edward Furlong. Não vou comentar essa continuação, direi apenas que é uma infelicidade não poder desassistir algumas coisas.

(spoilers do filme de 89 e do livro)

Dale Midkiff (Elvis e Eu) interpreta Louis Creed e Fred Gwynne o velho Jud Crandall. Apesar do sucesso desse filme, é incontestável que houveram alguns problemas sérios na produção, tanto em relação a adaptação do roteiro, que foi escrito pelo próprio Stephen King, quanto a direção de Mary Lambert, que deixou várias cenas com cara de novela brega, além do final terrível, no pior dos sentidos.

Em termos de elenco, Dale Midkiff não consegue transmitir o lento enlouquecimento de Louis Creed e sua atuação é sofrível durante todo o filme. Denise Crosby não tem a chance de interpretar a fobia da morte que atormenta Rachel no livro, e Miko Hughes como Gage após a volta dos mortos é algo cômico de assistir. No livro Gage fala segredos sombrios a Jud Crandall antes de matá-lo, deixando claro que o corpo da criança está sendo habitado por uma entidade maligna, antiga e maliciosa. No filme ele parece uma versão do brinquedo assassino.

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Por falar em Jud, nunca entendi o motivo de terem cortado Norma Crandall do roteiro. É ela quem morre no livro (no filme é Missy, a babá, que se suicida por estar em fase terminal de um câncer no estômago). A esposa de Jud morre de forma natural e com idade avançada, fazendo um contraponto com a morte prematura e repentina do bebê Gage, atropelado por uma caminhão. Essa é uma falha que torço para que corrijam no filme que está sendo produzido.

Outra coisa que espero ver feito de modo melhor é o cemitério em si. No filme é uma terra abandonada, no livro é algo como um local mágico e quase surreal, habitado por espíritos e um terrível demônio, o wendigo. Não são todos que conseguem chegar ao local e nem todos conseguem voltar de lá. O destino dos que se aventuram por aquelas terras é influenciado pela entidade que lá habita.

Outro ponto é que, no livro, as motivações de Jud e Louis são totalmente controladas pelo poder do cemitério. No filme é o desespero pela perda que leva Louis a enterrar o filho e a esposa lá. Louis, na versão literária, enlouquece e envelhece fisicamente por causa do poder do cemitério sobre ele, além do peso da sequência de desgraças pelas quais ele passa. No filme isso não fica evidente, Louis parece apenas um tolo que repete um erro acreditando que poderá obter um resultado diferente.

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Victor Pascow e Zelda fazem parte da parte que faz o filme valer a pena, embora no livro Zelda seja mais atormentada do que propriamente maligna. Pascow aparece mais no filme que no livro e achei essa mudança positiva. Espero que deem bastante espaço para ele no filme a ser lançado.

Por último o karma da grande maioria das adaptações de King: o final. É de matar, mesmo. No livro Rachel, ou melhor, a coisa que costumava ser Rachel, volta e diz “oi” para um enlouquecido e decrépito Louis. No filme ela entra e o beija (argh!) enquanto pega uma faca (isso mesmo, amigos, Louis esperava a esposa morta-viva com uma faca a postos, talvez para cortar batatas para o jantar) e o apunhala. As luzes se apagam e ouve-se Louis gritando “Nooooooooooooo!”. Não? Como “não”, Sr. Creed? Você acabou de matar seu pequeno filho zumbi após ele assassinar seu amigo e vizinho e a própria mãe, o que esperava que Rachel viesse fazer? Assistir TV com vc? Lamentável.

Para terminar, apesar de Andy Muschietti (It, 2017) e o grande Guillermo del Toro terem expressado claramente interesse em dirigir a nova adaptação, foram escolhidos para assumir essa tarefa Dennis Widmyer e Kevin Kolsch (Starry Eyes, 2014). Esperemos que façam um trabalho a altura dessa grande história, que mexe com os medos mais arraigados nos corações humanos, uma das mais assustadoras já escritas.

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