Extraordinário: um filme nem tão extraordinário assim

Todo ano temos ao menos um “caça-lágrimas” no cinema. Esse ano o filme da vez é Extraordinário, dirigido por Stephen Chbosky (As Vantagens de ser Invisível) e estrelado por Jacob Tremblay (O Quarto de Jack), Julia Roberts e Owen Wilson.

O filme retrata a história de Auggie (Jacob Tremblay), um garoto de onze anos nascido com um tipo de doença rara semelhante a Síndrome de Treacher Collins, que causa deformidades craniofaciais. Embora tenha sido escolarizado em casa até então por sua mãe, Isabel (Julia Roberts), os pais percebem que é chegado o momento de o matricular numa escola de verdade. O drama é palpável, o receio dos pais em colocá-lo num ambiente cheio de outras pessoas, a insegurança de Auggie diante da novidade assustadora, tudo muito plausível. É fácil ter empatia pelo garoto e sua família. Uma jogada inteligentíssima foi colocar os pontos de vista de outros personagens, não só a visão do protagonista diante da situação. A conexão do público com os personagens é inevitável, ainda mais com as excelentes interpretações de Tremblay, Julia Roberts (maravilhosa) e Owen.

O filme traz temas delicados como bullying , inclusão, ver além das aparência, etc. É interessante que Auggie se sinta feliz com o Halloween, única época do ano em que ele pode usar uma máscara, quando vemos que os outros personagens tidos como “normais” usam máscaras todos os dias.

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Confesso que me emocionei muitas vezes, mas é impossível não comentar algumas falhas. Por exemplo, o filme se esforça muito para emocionar, criando alguns momentos de pura pieguice. O final é totalmente desnecessário e a trilha sonora do brasileiro Marcelo Zarvos é feita sob medida para fazer brotar lágrimas, mas depois é facilmente esquecível. Tem até uma cena para induzir o público a ficar aflito por um dos personagens, mas que no fim não teve relevância nenhuma, foi apenas uma isca bem colocada e um pouco desonesta, na minha opinião.

Vale a pena ver com as crianças, elas podem realmente tirar proveito da mensagem, mas para adultos pode parecer pastel de vento: legal até, na hora, mas sem a capacidade de saciar a fome. Alguns personagens são irreais demais, não expuseram o ponto de vista do menino que praticava o bullying contra Auggie. Esse tema poderia ser tratado com mais simplicidade e verdade, mas talvez o desejo de arrecadar milhões em bilheteria não tenha permitido. Extraordinário está muito longe de O Quarto de Jack e Inteligência Artificial.

P.s: a participação de Sônia Braga foi um tanto irrelevante. Já as referências a Star Wars vão agradar a muitos marmanjos.

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