Mr. Robot traz redenção e novos horizontes

Mr. Robot parecia um pouco perdida na segunda temporada. Parecia. O terceiro ano veio com tudo e provou que essa história está sendo bem encaminhada e tem um futuro muito promissor.

(spoilers da terceira temporada)

Elliot começou travando uma luta contra o sistema. Depois, uma luta contra si mesmo. Na terceira temporada, Elliot percebe a inutilidade de tudo isso. Sua “revolução” contra o domínio da E-Corp, em última análise, serviu apenas aos propósitos ainda mais obscuros de Whiterose, que todo o tempo manipulou os acontecimentos. A luta contra o lado sombrio de sua mente também foi infrutífera. Era impossível vencer e, divididos, Mr. Robot e Elliot foram feitos de fantoche com facilidade. Perceber essa verdade, olhar em volta e ver que o mundo está ainda pior do que antes do ataque de 5/9, saber que é um dos responsáveis pela morte de milhares de pessoas, entre elas seus amigos Trenton e Mobley, faz com que Elliot considere o suicídio. Nesse momento entra em cena um personagem que, até agora, não sei se era real ou não. O fato é que esse personagem faz com que Elliot abandone a ideia suicida e comece a rever alguns aspectos de sua história.

Rami Maleki segue ainda mais impressionante com seu trabalho e mostra claramente o profundo tormento de Elliot em sua jornada do herói às avessas, cheia de medo, ira contida prestes a explodir e, sobretudo, confusão. A relação dele com Darlene se aprofunda e a atriz Carly Chaikin brilha ao lado de Maleki. Outra que mandou bem nessa temporada foi Portia Doubleday. Sua chatíssima Ângela se tornou um personagem bem mais interessante para a trama. BD Wong como Whiterose é pura sofisticação e glamour, merece ser lembrado na temporada de premiações à frente. Bobby Cannavale como Irving está um deleite e é ele que protagoniza a cena mais violenta de toda a série. Jack Torrance manda um “olá “.

Mr. Robot terceira temporada

Mas é a direção de Sam Esmail que mais chama a atenção. Cada episódio tem sua própria característica visual para melhor contar a história. Cada atuação, cada fotografia, os ângulos peculiares, tudo muito bem pensado e executado sob a regência de Esmail. Inclusive o episódio 5X3 é uma obra memorável. Composto de longos planos-sequência unidos de modo sutil para dar a impressão de se tratar de um único take, esse episódio não é apenas uma aula de técnica sem propósito na narrativa, mas serve para colocar o espectador dentro da corrida contra o tempo em que os personagens estão inseridos.

img3 Por fim, após lutas internas e externa e auto descobertas decisivas, Elliot encontra um novo propósito: derrubar Whiterose. O 1% do 1% no topo da pirâmide foi exposto e agora é seu novo alvo. Resta saber se Whiterose não está ciente e pronta para cooptar essa nova tentativa de revolução do nosso protagonista, que agora tem em Mr. Robot seu maior aliado. Redenção para Elliot? Vitória de Whiterose sobre todos, inclusive sobre o domínio do Tempo? A quarta temporada dirá. De minha parte qualquer das possibilidades parece interessante.

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