Manhunt: Unabomber – Série exibida na Netflix traz show de Paul Bettany

Manhunt: Unabomber, minissérie baseada em acontecimentos reais produzida pela Discovery (e exibida em parceria com a Netflix), pode soar como um simples documentário, sem grandes atuações ou arcos dramático. Puro engano: Manhunt é uma minissérie com uma mensagem forte e grandes atuações.

A história contada é a do famoso “serial bomber” Ted Kaczynski (Paul Bettany), que praticava atentados contra civis enviando bombas pelos correios americanos, aparentemente escolhendo suas vitimas aleatoriamente, deixando o FBI perdido. O Bureal americano já o procurava há 17 anos sem pistas quando chamaram Jim Fitzgerald (Sam Worthington), um “profiler”, para os ajudar na busca pelo assassino.

A série, inusitadamente para um thriller policial, começa pelo “final” da história. O curioso é que isso não rouba o suspense, nem deixa a série desinteressante, muito pelo contrário: ficamos presos à história, querendo saber como tudo se encaixou.

Sem pistas para iniciar uma investigação convencional, Fitz utiliza a linguística forense para tentar chegar perto de algum padrão que o ajude na caçada ao perigoso terrorista. A melhora na situação de Fitz acontece quando Kaczynski envia ao New York Times um manifesto intitulado Industrial Society and Its Future“. Nesse manifesto Kaczynski mostra suas intenções terroristas e a ideologia por trás de suas ações: tentar libertar a sociedade da condição que chama de escravidão tecnológica. À partir do manifesto Fitz começa a estabelecer um método para encontrar Kaczynski, que por sinal é um criminoso de sofisticado intelecto.

Manhunt

É interessante notar que o manifesto de Kaczynski é o  que faz com que Fitz compreenda o que seria necessário para prendê-lo: questionar os padrões. Não é preciso dizer o quanto foi difícil para Fitz questionar os métodos de uma instituição de tão grande reputação quanto o FBI.

Sam Worthington está bem no papel de Fitz, fazendo um personagem muito focado no trabalho, disposto a utilizar todas as suas habilidades e energias para encontrar um criminoso. Entretanto quem dá show mesmo é Paul Bettany ao dar vida a um personagem complicado e cheio de camadas. Seu Kaczynski é um homem profundamente marcado por traumas de infância (retratados em um dos episódios) e sérias dificuldades de se relacionar com outras pessoas.

O roteiro consegue mostrar o lado humano de Kaczynski e as idéias que ele aborda não são atacadas pela trama, mas trazidas como um modo de reflexão. O efeito das idéias de Kaczynski em Fitz foi permanente, agogô que pode ser visto logo nos primeiros minutos da série, assim como nos segundos finais.

Da mesma forma que a recente série da Netflix, Mindhunter, Manhunt: Unabomber é também um estudo sobre a mente e uma minissérie sem enrolação, com uma ótima trama, excelente texto e elenco afiado. Recomendado.

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