Eu, Tonya – Quando tudo pode dar errado…e dá

Eu, Tonya é um filme sobre a patinadora Tonya Harding, que nos anos 90 se destacou como uma das melhores patinadoras dos EUA, mas depois se tornou pivô de um dos maiores escândalos na história do mundo esportivo. O estilo documentário, com direito a “depoimentos” dos principais envolvidos, nos mostra o ponto de vista de cada personagem à respeito dos fatos sem deixar à história cair no dramalhão que, de outro modo, seria quase inevitável. Afinal se trata da história de uma pessoa que tinha tudo para dar errado na vida, e deu. O recurso de contar os fatos tempos depois permitiu uma abordagem mais direta e, até mesmo, bem humorada da desgraçada vida dessa jovem talentosa que tinha todas as probabilidades contra si.

O inicio do filme mostra a infância difícil  de Tonya, tendo que lidar com o abandono do pai e a criação abusiva da mãe (excelentemente interpretada por Allisson Janney). A relação entre mãe e filha, que naturalmente tende a ser complicada, é envenenada por sucessivos fracassos e amarguras. Quando a história dá um salto temporal vemos Tonya adolescente, já sendo interpretada por Margot Robbie. Nesse ponto achei complicado ignorar uma atriz de 27 anos interpretando um personagem de 15. Ficou estranho e não transmitiu a vulnerabilidade da verdadeira Tonya na época. Não se trata da qualidade de Margot Robbie como atriz, que é realmente notória, apenas que uma atriz mais jovem e de aparência mais frágil teria agregado mais ao personagem. O curioso é que Hollywood adora colocar mulheres mais jovens em papéis de mulheres mais velhas, mas em Eu, Tonya, faz o oposto.

Um dos temas mais importantes da história é o abuso. Tonya sofreu abusos físicos e psicológicos a vida inteira por parte da mãe e, após se casar, por parte do marido (Sebastian Stan). A relação dos casal é doentia, único tipo de relação conhecido por Tonya. Sua autoestima e autoconfiança eram diretamente afetadas por essas relações, o que influenciava negativamente em seu rendimento, ofuscando seu incrível talento natural.

Outro tema tratado é o elitismo dentro do mundo da patinação artística. Tonya, apesar do enorme talento, nunca agradava o juri por conta de suas roupas (a maioria costuradas por ela mesma) e de sua figura desleixada para os padrões esperados daquele tipo de atleta. Tonya não repesentava o ideal de jovem americana, nascida na família padrão americana e, por isso (embora não apenas por isso), suas notas quase nunca faziam justiça à sua capacidade.

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Margot Robbie e Allisson Janney fazem um excelente trabalho e suas performances foram amplamente reconhecidas pela crítica, recebendo várias nomeações, inclusive ao Oscar. A trilha sonora anos 90 é bem colocada, as cenas de patinação são muito bem feitas e o final, onde os verdadeiros personagens dessa tragicomédia são mostrados em comparação aos ficcionais, mostra o cuidado das caracterizações.

Eu, Tonya é uma história de fracasso, preconceito, abuso, mas também é a história de uma atleta de vontade indomável, uma lutadora que não se deixou abater, uma Menina de Ouro da patinação, só que com um final melhor. E já que a vida deu tantas porradas e ela sempre se levantou, por que não fazer disso uma carreira? Tonya é mesmo uma figura fascinante

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