Projeto Flórida: Willem Dafoe cativa público e crítica

Projeto Flórida (The Florida Project) é apenas o terceiro trabalho do diretor e roteirista Sean Baker, conhecido por Tangerine, filme de 2016 gravado apenas com câmeras de celulares. Certamente Baker é um cara que sabe extrair o melhor dos recursos que possui, algo outra vez evidente em seu novo filme, onde um elenco desconhecido contracena numa locação para lá de simples em torno de uma história comum mas cheia de mensagens e significados.

A história se passa em Orlando, onde o clima de fantasia que emana do mais famoso parque temático do mundo, a Disney World, raramente alcança a vida dos personagens centrais do filme. Moone, uma criança de apenas 6 anos (interpretada brilhantemente pela atriz mirim Brooklynn Prince) vive com a mãe, a jovem e problemática Halley (Bria Vinaite), em um hotel barato. Halley tenta sustentar a filha fazendo bicos e aplicando pequenos golpes, sem perspectiva de futuro. A infância de Moone é vivida de modo semelhante àquele em que  a mãe vive sua vida adulta: se divertindo com amigos sem muita preocupação com o futuro.

O roteiro de Baker mostra claramente o contraste entre a magia do parque – com seus alegres turistas- e a camada mais pobre, alheia a esse mundo, apenas vivendo e sobrevivendo como fariam em qualquer outra cidade.

img2 Outro ponto bem explorado é a infância das crianças, mostrada sem floreios. As crianças não são fofas e ingênuas como estamos acostumados a ver nos filmes. Elas xingam, brigam, gritam, limpam a mão de comida na fronha do travesseiro, destroem, mentem. Afinal são crianças criadas soltas, muitas vezes frutos de pais ainda mal saídos da infância, como é o caso de Moone e sua mãe quase adolescente.

O gerente do hotel, Bobby, interpretado por Willem Dafoe, se mostra acolhedor, íntegro e bom, agindo muitas vezes de forma paternal para com todas aquelas crianças carentes de uma figura masculina. Uma excelente atuação de Dafoe que lhe rendeu uma indicação ao Oscar. De minha parte jamais imaginei ver o ator num papel de mocinho genuíno, mas deu muito certo.

Além de Dafoe o elenco inteiro está muito bem. Brooklynn Prince atua tão naturalmente que não sabemos identificar se aquela é a atuação ou o lado criança dela mesmo. Bria Vinaite, que nunca tinha atuado em Hollywood e foi encontrada pelo diretor através de uma rede social, também está ótima no papel, uma revelação e tanto.

Não espere grandes revelações ou reviravoltas. A história segue o cotidiano daqueles personagens com um padrão bem definido e termina igualmente. Entretanto é impossível não sentir empatia por eles, ali, tão perto e tão longe do “paraíso “. O filme é um olhar sobre as ilusões que se vendem e àqueles que, sem condições de comprar, precisam encarar uma realidade muitas vezes feia e difícil, mas onde ainda se pode viver momentos de alegria reais, como tomar um simples banho de chuva.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s