Círculo de Fogo: A Revolta entra para o time das boas sequências?

Após cinco anos da estréia do filme Círculo de Fogo (Pacific Rim) chega aos cinemas sua continuação, Círculo de Fogo: A Revolta (Pacific Rim: Uprising), só que agora sem a direção de Guillermo Del Toro. O estreante em Hollywood Steven S. DeNight (conhecido por ser o criador da série Spartacus) assume a direção da continuação mas, infelizmente, não consegue imprimir a mesma boa impressão do primeiro longa da franquia.

Circulo de Fogo: A Revolta (como foi distribuído aqui no Brasil) se passa dez anós após os eventos do filme anterior. O filho de Stacker Pentecost (que fora vivido por Idris Elba), Jake Pentecost (John Boyega), é mostrado como um garoto festeiro que vive do contrabando de peças de Jaegers sucateados. A academia de pilotos deixara de fazer parte de seus planos, especialmente pela crença geral de que uma nova invasão kaiju seria uma hipótese muito remota. Seu estilo de vida sofre uma brusca mudança quando é pego pelas autoridades dentro de um Jaeger pirata construído pela adolescente Amara Namani (Cailee Spaeny), o que faz com que ambos acabem sendo enviados para a academia, ele como instrutor e ela como cadete.

Os velhos clichês, como o bullying dos veteranos contra Amara e a relação ódio /amor entre os rivais e melhores amigos Nate Lambert (Scott Eastwood) e Jake, estão presentes. Há até um pseudo triângulo amoroso envolvendo ambos e a oficial Jules Reyes (Adria Arjona) que, no fim, resultou em nada. Os jovens recrutas não têm suas histórias minimamente construídas e, aparentemente, estão ali apenas para dar um ar mais teen à franquia.

O filme tem problemas também em construir a noção de passagem do tempo e falha ainda em transmitir adequadamente as emoções dos personagens e de muitas cenas para o público, defeitos reforçados por diálogos mal escritos, atores mal dirigidos, cortes bruscos e trilha sonora insípida (algo particularmente decepcionante pois a trilha sonora do primeiro filme era um de seus pontos altos). As lutas do primeiro filme eram de Jaegers contra Kaijus, agora são de Jaeger contra Jaeger e a comparação com Transformers fica inevitável, no sentido ruim da comparação (e existe outro sentido?) .

Ao menos as lutas são bem fluidas, diferentemente de Transformers que, em muitos momentos, é apenas uma grande confusão na tela. O CGI aqui é muito bem feito e podemos sentir o peso do impacto dos Jaegers. Tokyo é completamente destruída numa clara referência aos clássicos Tokusatus. Mas será que ainda é possível fazer filmes de destruição dessa magnitude, com prováveis centenas de milhares de pessoas mortas, sem gerar algum desconforto no público? Acho que os recados dados a Man of Steel e Vingadores respondem à essa questão. Não se trata de aversão à violência, mas de esperar a mesma reação do público ao ver séries infanto-juvenis como Jaspion, Changeman ou Power Rangers. Nas séries clássicas, com prédios de papelão e isopor voando pelos ares, não era sequer possível entrar num dilema moral. Aqui o realismo dos edifícios espelhados que servem de corner para os robôs gigantes, onde um incontável número de pessoas é mostrado como formigas por toda parte, torna difícil para o público adulto tratar as casualidades com indiferença

Os personagens não têm muita camadas e há mesmo certas incoerências em algumas cenas e supostas jornadas de redenção. Jacke mostra uma reação realmente fria diante de uma grande perda, Amara conhece por nome cada modelo existente de Jaeger mas não conhece a grande heroína da guerra contra os Kaijus, Mako Mori, a visionária e misantropa Liwen Shao do nada vira outra pessoa. Nate Lambert segue à risca até o final seu personagem ultra clichê (se soou como um elogio acredite, não foi).

O filme entretém, tem boa carga de ação, algum humor (que na maioria das vezes não cola direito), mas a história não funciona. A continuação, que além de desnecessária foi mal feita, termina com um gancho para um terceiro filme. Highlander, Matrix e companhia mandam um alô.

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