Segunda temporada de Santa Clarita Diet tem gosto de “quero mais”

Santa Clarita Diet sempre me intrigou. Uma série de comédia ambientada no subúrbio da Califórnia, mostrando a vida de uma família branca, rica, com direito a filha adolescente rebeldinha jamais seria algo capaz de chamar minha atenção. Exceto que a mãe dessa família é uma morta-viva que caça seres humanos para comer e que essa mãe é vivida pela queridíssima Drew Barrymore. Pretensão disfarçada ou não, o fato é que foi impossível não dar uma chance. E que experiência gostosa (isso soa errado, eu sei) acompanhar as aventuras da família Hammond tentando esconder seu pequeno “problema doméstico” de seus vizinhos pra lá de intrometidos. Será que a segunda temporada conseguiria trazer um novo tempero  para essa trama (desculpem, não consigo evitar!)?

A temporada começa com Sheila (Barrymore) presa no porão de sua casa enquanto Joel (Timothy Olyphant) está internado numa instituição psiquiátrica por ter atacado a mãe do diretor da escola de sua filha Abby (Liv Hewson) a fim de conseguir um pouco de sua bile, ingrediente indispensável para a produção de um soro capaz de impedir Sheila de continuar em processo de decomposição.

À partir daí o que temos é um pouco mais do mesmo: dilemas sobre como manter Sheila alimentada e fora do radar da polícia, algumas questões morais sobre como fazer a ideia de cometer assassinatos parecer menos errada, armazenamento seguro e higiênico de carne, dilemas adolescentes envolvendo Abby e o nerd filho da vizinha, Eric (Skyler Gisondo), muito nonsense e gore.

Mas, ainda que devagar, a trama avança. Pistas de como tudo aconteceu, sinais de que a “família perfeita” está em crise e a evolução de alguns personagens fazem com que, aos poucos, vejamos que a história está seguindo um rumo. As interpretações garantem risadas pelo total absurdismo de algumas situações. Já quando vemos cenas de dramas mais cotidianos, especialmente as envolvendo Abby e Eric, a pegada se perde um pouco.

Sub-textos bem interessantes continuam presentes, como o fato de Sheila ter deixado de ser uma mulher passiva após ter se transformado em zumbi. Há muito pano para manga quando pensamos que uma típica dona de casa, vivendo num mundo de superficialidades e sempre em função do bem estar de outros, se descobre uma mulher com opinião, desejos, ambição e cheia de vida quando…morre. Outro mato cheio de coelhos trata das pessoas naquela vizinhança, sempre buscando manter as aparências e, ao mesmo tempo, tentando encontrar falhas no outro, e a incapacidade deles em perceber que existe uma comedora de gente entre eles. A atenção, sempre tão voltada para os detalhes mais fúteis, falha quando se trata de coisas realmente significativas (para dizer o mínimo).

O final deixa uma luz quanto a continuação dessa história (embora ainda não haja notícia sobre uma terceira temporada). Para mim foi completamente visível nesse momento que a história teve um começo, passou pelo meio e se encaminha para um final. Uma refeição completa, com entrada, prato principal e sobremesa. Se esse for o propósito será extremamente satisfatório [trocadilhos sobre comida e canibalismo terminam aqui].

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