Westworld e os robôs mais humanos que você já viu

Assistir Westworld pode ser um ótimo entretenimento para fãs de ficção cientifica, mas a verdadeira experiência acontece quando entramos de cabeça nos aspectos mais filosóficos que ela oferece.

(spoilers)

Questionamentos existenciais e éticos, fé, livre arbítrio, a nova espécie traz consigo as inquietações de seus criadores. Não é meu intuito tentar explicar alguma coisa pois, além da dificuldade dos temas, muito do que vimos nos últimos episódios, especialmente na season finale, foi propositalmente colocado para ser  esclarecido (talvez) no futuro do show. Mas, se não é para explicar, que raios estou fazendo aqui?
Na verdade quero compartilhar com vocês minha experiência, que pode não ser tão diferente da sua.

A temporada passada trouxe o despertar de alguns anfitriões e terminou com o que parecia ser o fim do parque temático Westworld. Parecia.
A segunda temporada começa apresentando um quebra-cabeças ao explorar mais de uma linha temporal, algo que aos poucos vai sendo percebido pelo telespectador. Bernard está confuso e sua capacidade de discernir entre o que está ocorrendo no momento presente e o que já passou está comprometida. Muitas vezes é da perspetiva dele que tentamos acompanhar os fatos, sem saber exatamente onde cada evento se encaixa no tempo. Uma dica: será necessário assistir a temporada uma segunda vez para realmente entender algumas cenas.

A questão tecnológica da série é interessante: robôs alcançando consciência própria (singularidade) e humanos querendo se tornar robôs para viver para sempre. Muitos desses robôs têm mais virtudes que o grupo de humanos que frequenta o parque, composto por ricaços sádicos e depravados com sede por prazeres violentos.
A humanidade está cansada de sua própria realidade mas ainda busca uma forma de driblar a morte. Por outro lado os robôs que “acordaram” parecem querer o oposto: o direito a ter uma única vida. A nova espécie luta com nossos fantasmas, a começar pelo livre arbítrio. Não se trata apenas de encerrar o eterno ciclo de morte e ressurreição que eles buscam, mas de viver uma única vida na qual sejam eles a fazer as próprias escolhas. Talvez eles possam alcançar esse dom tão sonhado pelos seres humanos, mas ainda estão longe.

De um modo geral a série explora muitos aspectos da nossa própria história. O episódio Akane no Mai mostra o nascimento de um mito, enquanto nos delicia com o visual inspirado no Japão feudal do período Edo, com gueixas, samurais e ninjas. Maeve (Thandie Newton) surge como uma grande feiticeira e a atriz brilha falando em japonês durante quase todo o episódio. Outro destaque é a participação do sempre maravilhoso Hiroyuki Sanada interpretando Musashi, um destemido ronin.

No episódio Kiksuya temos o nascimento de uma religião baseada na existência de uma Terra Prometida (soa familiar?). Akecheta (Zahn McClarnon), da tribo Ghost Nation, encontra em uma cena de massacre o desenho do labirinto (The Maze), que inicia nele o processo de despertar que passa despercebido pelos técnicos do parque. Após anos vagando e acumulando conhecimento ele finalmente conversa com seu Criador, Ford (Anthony Hopkins) e recebe a revelação sobre o Vale Além, um local além d’A Porta, onde todos os anfitriões poderão viver livres para serem o que desejarem, longe da dominação e violência do parque Westworld. Esse local é dentro de uma realidade virtual, obviamente.

Dolores (Evan Rachel Woods) parecia a grande heroína da história, mas isso já não é mais tão certo. Uma líder revolucionária é o que ela é, de fato. Se seus fins justificarão seus controversos meios isso ainda veremos. Por fim ela leva Bernard (Jeffrey Wright) para fora do parque e dá a ele a opção de escolher como viver a própria vida. Bernard diz não só que não vai ajudá-la em seu projeto de dominação como também vai tentar impedi-la. Mas isso já era esperado por nossa atual loura mais badass da TV (sorry Daenerys), que apenas responde que conta com isso, pois só assim sua espécie terá chance de prosperar no mundo real. Pronto! A velha dualidade Bem vs Mal está instituída entre os robôs. Eles não são tão diferentes de nós, afinal.

A cena pós crédito explodiu a mente de muita gente, mas lembremos da fala de Dolores em seu último confronto com William (Ed Harris), onde ela diz que o que ele buscava era destruir a si mesmo, mas que essa paz ela não permitiria que ele tivesse…ainda. Para mim Dolores, ao invadir a Forja, copiou o código de William e o transformou num anfitrião, para condená-lo a viver num loop infinito que sempre culminaria com ele assassinando Emily, sua própria filha. Nesse caso Dolores teria criado um inferno especialmente desenhado para ele, de vingança e castigo. Para piorar ainda mais, o anfitrião que supervisiona o experimento em William tem a aparência de Emily! Será um castigo eterno ou um exercício de expiação? Será que ainda existe redenção para nosso Homem de Preto?

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