Ilha de Cachorros: Nova animação de Wes Anderson é uma bela história de amizade e lealdade

Ilha dos Cachorros: Nova animação de Wes Anderson é uma bela história de amizade e lealdade

A nova animação stop motion de Wes Anderson desde O Fantástico Sr. Raposo (2009) traz um bando de cães alfa unidos para ajudar um garoto a resgatar seu grande amigo. O prefeito kobayashi (Kunichi Nomura) espalha a histeria coletiva com o objetivo de varrer todos os cachorros do Japão para uma ilha isolada que nada mais é do que uma  pilha de lixo gigante. O sobrinho do prefeito, um adolescente chamado Atari (Koyu Rankin), resolve roubar um avião e vai até a ilha resgatar seu amigo, o cão de guarda Spots (Liev Schreiber).

O grupo de cães, formado por Boss (Bill Murray), Duke (Jeff Goldblum), Rex (Edward Norton), King (Bob Balaban) e Chief (Bryan Cranston), tem suas dificuldades em tomar decisões (e pelo nome de cada um podemos assumir que nenhum deles é o tipo que acata decisões de terceiros). Cada situação exige um tempo para votação, algo que nem sempre funciona e rende momentos engraçados. O cão de rua, Chief, não habituado a democracia, mas apenas a fazer sua própria vontade, quase nunca concorda com o grupo, especialmente sobre ajudar ou não o pequeno piloto a encontrar seu amado amigo canino. Chief não é afeiçoado a humanos e não pretende se arriscar pelo garoto, mas acaba seguindo o grupo nessa missão que acaba por forjar fortes elos de amizade e trazer muitas descobertas inesperadas.

A mania de perfeição de Anderson está lá, com seus frames sem defeito, belos enquadramentos, as modelagens têm muita textura e os personagens  expressões cheias de emoções humanas. O humor é esperto, dinâmico, às vezes flertando com o humor negro. Algumas cenas mesclam o stop motion com animação clássica de desenhos antigos, rendendo uma combinação divertida, especialmente nas “cenas de luta”. As dublagens estão muito bem feitas, com destaque para Bryan Cranston. infelizmente as dublagens em japonês nem sempre tem tradução, o que é algo especialmente frustrante nas falas de Atari. Ok, a gente acaba entendendo a mensagem pelo contexto e tal, mas a situação fica desequilibrada quando comparamos com a personagem Tracy (Greta Gerwig), uma aluna americana (ou seja: fala inglês, né?) fazendo intercâmbio no Japão, cuja voz irritante é extensivamente usada em sua jornada tentando solucionar o problema do país alheio. Branca de cabelo black power, a salvadora americana causa uma revolução na sociedade japonesa, retratada como absolutamente passiva diante da tirania de Kobayashi. Não tinha uma “japinha” para ser a heroína do seu país?

A história em si não têm muita relevância. A questão da amizade e da lealdade é bem trabalhada, mas não dá para traçar paralelos mais significantes com nossa sociedade sem derrapar na graxa. De qualquer forma o filme traz alguns momentos bem bonitos. Mas eu, que sou capaz de chorar até em comercial de shampoo anticaspa, fiquei com o olho seco até o final. Nível de emoção bem “tolerável”. Ponto positivo para a pug Oráculo (Tilda Swinton), que é engraçadíssima e negativo para Noz Moscada (Scarlett Johansson), que saiu de algum filme noir e caiu de paraquedas na história.

Se você é um amante de cinema e de stop motion, se ama cães ou apenas procura um filme leve e bonito sobre amizade, Ilha dos Cachorros vai te agradar bastante.

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