Objetos Cortantes: quando True Detective encontra Big Little Lies

Objetos Cortantes: quando True Detective encontra Big Little Lies

Objetos Cortantes (Sharp Objects), a mais nova minissérie da HBO, é baseada no romance homônimo de Gillian Flynn e conta a história de Camilla Preaker, uma jornalista que retorna à sua cidade natal para cobrir a história de dois assassinatos.

Contando com oito episódios, a série é estrelada por um excelente elenco, encabeçado pela sempre maravilhosa Amy Adams. Aliás, é no elenco que a produção do show tem seu ponto mais forte. Amy dá vida a uma mulher atormentada por terríveis fantasmas do passado e que luta para viver uma vida com sentido. É ela que, com seus olhos expressivos e a voz suave, porém carregada de emoções reprimidas, dá o tom da série. Mas nenhum herói se destaca sem um antagonista à altura e nisso Objetos Cortantes não deixa a desejar. Adora Crellin é uma bruxa para nenhum Grimm botar defeito e a interpretação de Patricia Clarkson é um arraso, de dar frio na espinha. Junto à elas temos outras ótimas participações, como a da jovem atriz Eliza Scalen, que interpreta a irmã caçula altamente manipuladora de Camille, Amma, além de Chris Messina como o detetive Richard Willis.

Além do elenco, a fotografia e trilha sonora também são de ótima qualidade, seguindo o padrão HBO.
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A história, por sua vez, é repleta de clichês, como o envolvimento da mocinha com o detetive, personagens caricatos, etc. O pior mesmo é quando a gente tem que lidar com o fato de que Camille, uma jornalista que se vê obrigada a voltar para sua pequena cidade natal a trabalho, não apenas soluciona os crimes mas ainda desvenda um terceiro crime, cuja existência a polícia sequer imaginava, e tudo sozinha. O mais interessante é que os três tem ligação direta com sua pessoa. Quer dizer, se ela nunca tivesse voltado para Wind Gap três assassinatos continuariam sem solução. Enfim, barra forçada com sucesso. Por outro lado é preciso admitir que a maneira como essa história, clichê e cheia de conveniências, é contada é mesmo incrível. O clima construído é denso, a podridão por baixo de belas aparências é, aos poucos, revelada, mantendo o suspense até o último episódio. O finalzinho é meio bobo, pois o plot twist não é lá uma grande surpresa (eu já tinha sacado).

Enfim, Objetos Cortantes é uma minissérie envolvente, que mostra alguns temas bem pesados (no penúltimo episódio fiquei bem perturbada, devo confessar) e faz questão de nos lembrar que há pessoas imersas em sofrimentos inimagináveis perto de nós sem que a gente se dê conta, e que monstros reais podem estar caminhando ao nosso lado com os mais belos disfarces.

Ps. Ao final do último episódio há duas cenas pós-créditos.

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