Tully Filme Crítica

Tully é um desserviço em favor do entretenimento raso

Hoje quero falar de um filme que trata de solidão. O quão solitário pode ser para uma mulher ser a base da grande família feliz. O filme em questão é Tully, escrito por Diablo Cody e dirigido por Jason Reitman (a mesma dupla por trás de Juno) e traz Charlize Theron como Marlo, uma mulher que acaba de dar à luz uma menina, a terceira criança da família Moreau. Marlo está à beira de um colapso, sobrecarregada física e mentalmente, quando seu irmão se oferece para contratar para ela uma babá noturna. À princípio ela se mostra relutante, mas após um dia especialmente difícil ela aceita a ideia.

Tully se apresenta uma noite e não causa boa impressão em Marlo. Ela é seu exato oposto: um espírito livre num corpo sem marcas da idade. Como poderia confiar seu bebê recém nascido a uma moça tão inexperiente? Mas Marlo se surpreende ao constatar que, apesar da aparência, Tully é  uma pequena enciclopédia de conhecimentos e é sábia, mais do que ela própria. Ambas desenvolvem um forte vínculo de amizade e afeto.

O filme caminha bem, até certo ponto. O tom de comédia dramática é correto e a situação de Marlo certamente provocará empatia em qualquer mulher que já tenha enfrentado o desafio dos primeiros meses da maternidade. Nesse ponto é um filme que pode trazer um olhar de outras pessoas, as pessoas que geralmente estão em volta desse ser primitivo chamado mãe, e que não se dão conta do que se passa e de que poderiam ser mais colaborativas. Charlize está incrível como Marlo, entregando uma interpretação muito honesta e de modo destemido (inclusive ganhou  peso para dar realismo a sua atuação). Mackenzie Davis traz a leveza e um excelente contraponto como Tully, formando com Charlize uma excelente dupla, capaz de sustentar o filme por si.

Tully

Mas aí chega o terceiro ato e com ele a necessidade do plot twist,  desfazendo toda a beleza que vinha sendo construída até ali. Poderia ser um filme sobre empatia, sobre amizade, sobre duas mulheres de diferentes gerações colaborando uma com a outra, mas é um filme sobre solidão onde o herói, que só pode contar consigo mesmo, precisa chegar a beira da morte para que alguém perceba a dificuldade da sua missão, para que perceba que, embora heroico, é humano. Uma pena, mas o filme acaba servindo como excelente método de controle de natalidade. Um desserviço em favor do entretenimento, uma bola na trave que tinha tudo pra ser um golaço.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s