Castle Rock é uma verdadeira viagem dentro da mitologia de Stephen King

Castle Rock é uma verdadeira viagem dentro da mitologia de Stephen King

Fãs de Stephen King amargaram a recente má fase das adaptações do escritor na TV e no cinema, com as fraquíssimas Under the Dome e The Mist na TV, além do fiasco A Torre Negra na telona. Mas, após a tempestade de produções ruins, veio a boa fase, com o remake de IT e, na TV, a adaptação do livro Mr. Mercedes e a primeira temporada da antologia baseada na mitologia de King, Castle Rock.

Castle Rock é uma cidade fictícia localizada no Maine familiarizada com eventos catastróficos e violentos. Muitos atribuem isso não a natureza das pessoas, mas a uma influência direta da cidade, que modifica as pessoas tornando-as propensas ao mal, por assim dizer. Esse é o cerne de boa parte da criação de King. O mal personificado que vem de fora,  alienígena, que se enraíza num lugar e corrompe as pessoas, a antiga batalha entre IT (Bob Gray), a entidade maligna que se alimenta do medo e da desgraça humana e Mr.Turtle (Maturin), que simboliza o bem, a amizade e a coragem.

(spoilers)

Mas essa premissa se confunde na série com um outro tema que também pretende dominar a narrativa: a dos universos paralelos, ficando difícil atribuir uma influencia maligna a um evento que parece físico e desprovido de qualquer sentido para o mal ou para o bem. Henry Deaver (André Holland) volta à sua cidade natal, Castle Rock, chamado por um prisioneiro de Shawshank, a fictícia penitenciária localizada no estado do Maine. O prisioneiro em questão, um jovem de aproximadamente 30 anos, fora encontrado numa jaula escondida no interior de Shawshank, sem que ninguém soubesse seu nome ou o motivo de ele estar ali, já que a única pessoa que sabia da existência do rapaz, o diretor da penitenciária, havia se suicidado recentemente. Henry, um advogado especializado em casos de pena de morte, se interessa pelo caso do rapaz e tenta ajuda-lo a retomar a vida em sociedade.

Após idas e vindas vemos que o rapaz (Bill Skargård) é Henry Deaver num universo alternativo e que a floresta nos arredores de Castle Rock guarda uma passagem entre essas duas realidades. O rapaz, preso nessa realidade paralela por vinte e sete anos, quer ajuda para retornar para seu mundo pois, de acordo com suas palavras, coisas cada vez piores acontecerão em Castle Rock enquanto ele estiver ali.

Muitas referências a obras de King podem ser vistas ao longo dos episódios, chegando ao cúmulo de termos uma Jackie Torrance (Jane Levy), a sobrinha de ninguém menos que Jack Torrance, de O Iluminado. A relação de Henry Deaver com o pai, um reverendo obcecado por sons vindos da floresta, também lembra a relação de Jack Torrance com seu filho Danny.

Outra referência é a presença da maravilhosa Sissi Spacek, nossa eterna Carrie, a estranha. Ela interpreta a mãe de Henry Deaver em suas duas versões. Um dos melhores episódios da temporada é o que se foca em sua história. Outro é o que mostra a vida do Henry Deaver da realidade alternativa, destacando a ótima interpretação de Bill Skarsgård, variando um pouco do jovem estranho de olhar assustador para um brilhante e eloquente jovem médico, prestes a revolucionar o campo das pesquisas em torno da doença de Alzheimer. Aliás é ótimo ver a interação de Bill e Sissi, dois atores que representam tão bem o passado e o futuro do universo de King. Outros destaques no elenco ficam para Scott Glen como o xerife aposentado Alan Pangborn e Melanie Linskey como a paranormal Molly Strand.

O final é ambíguo, como se não fosse realmente possível decidir se os fatos se dão na cidade pela existência do portal interdimensional ou pela presença de uma entidade realmente maligna ali. Não sei se essa resposta virá, pode ser que a próxima temporada nada tenha a ver com os acontecimentos aqui retratados. Nesse caso ficará por conta da interpretação de cada um. De qualquer forma Castle Rock é uma interessante viagem a lugares bem familiares aos fãs de Stephen King, uma jornada compensadora.

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